Há mais de 5 meses, o caminhoneiro arapiraquense José Cícero Matias de Miranda, popularmente conhecido como “Pirrita”, vive um drama em sua vida. O falso funcionário de uma transportadora pegou seu veículo emprestado e nunca mais o devolveu. O pior de tudo é que o caminhoneiro, mesmo sem estar com o veículo, continua pagando as parcelas em dia, a fim de não ter seu nome incluso nos órgãos de proteção ao crédito, o que lhe renderia a perda do emprego.

De acordo com o caminhoneiro, o pesadelo começou no dia 15 de março deste ano, no momento em que ele ofereceu carona a um suposto funcionário de uma transportadora, que estava às margens da BR 316, em Atalaia. Devidamente identificado com farda e crachá da empresa, o elemento não causou nenhum tipo de suspeita a José Cícero, que o trouxe até Arapiraca.

Após uma longa conversa durante a viagem, os dois chegaram a conclusão que tinham muitos colegas em comum. Isso ocasionou uma maior aproximação, fazendo com que os dois trocassem os números dos telefones.

Ao se aproximar do destino final, o caminhoneiro perguntou ao carona onde ele morava. Por sua vez, o carona – identificado no crachá como Josivaldo Gomes dos Santos – respondeu que residia em frente à praça da Canafístula. Como José Cícero mora nas Batingas e teria que passar pelo local, ficou acertado que os dois iriam até a empresa, onde José Cícero deixaria o caminhão, pegaria seu veículo próprio e, em seguida, deixaria o carona em casa.

Assim fizeram e ao chegar na praça da Canafístula, Josivaldo pediu para o colega caminhoneiro parar em frente a uma residência, onde várias pessoas estavam na calçada. O carona agradeceu a boa ação de José Cícero, desceu do carro e cumprimentou todas as pessoas que estavam na calçada, enquanto o caminhoneiro manobrou o veículo e seguiu rumo a sua residência.

No dia seguinte, ao chegar na empresa, José Cícero recebeu um telefonema de Josival, perguntando se ele podia levar um documento para Maceió, uma vez que no dia anterior, o caminhoneiro havia adiantado que iria até a capital. José Cícero disse que levaria, sem problemas, mas que Josivaldo trouxesse o documento com certa brevidade, uma vez que iria partir em alguns minutos.

Em menos de 15 minutos, o homem apareceu na empresa com um envelope lacrado em mãos e usando a mesma farda e crachá da trasnsportadora. Ao entregar a encomenda, Josival disse que uma pessoa iria ligar para o caminhoneiro a fim de pegá-la na capital.

Enquanto o José Cícero realizava os últimos ajustes no caminhão antes da partida, Josivaldo disse que estaria viajando para Aracaju e perguntou a José Cícero se algum caminhão da empresa iria naquela direção. O caminhoneiro prontamente arrumou outra carona para o falso funcionário, alegando que um dos seus colegas também estaria partindo com destino à capital sergipana em poucos minutos.


O INÍCIO DO GOLPE - Naquele momento, Josivaldo colocou as mãos na cabeça e alegou ter esquecido a carteira em casa. Com um semblante de preocupação, Josivaldo perguntou a José Cícero se ele poderia emprestar o seu veículo para ir até em casa pegar a carteira, a fim de voltar a tempo de pegar a carona para Aracaju.

Sem notar qualquer suspeita, o caminhoneiro emprestou a chave ao homem e pediu para que ele a devolvesse na portaria da empresa assim que voltasse. Em seguida, o caminhoneiro partiu para Maceió, enquanto o acusado foi em busca de sua carteira.

Ao chegar em Maceió,o caminhoneiro estranhou não ter recebido a ligação da pessoa que iria receber o envelope. Ao ligar de volta para o celular de Josivaldo, o mesmo estava desligado. Ao ligar para a portaria da empresa, recebeu a informação que Josivaldo não havia retornado com o carro e que o caminhão que iria pegar carona já teria partido para Aracaju.

Após várias tentativas, o caminhoneiro resolveu abrir o envelope e constatou que os documentos não passavam de jornais velhos. Naquele momento o caminhoneiro chegou a conclusão que teria sido roubado. “A ficha caiu naquele momento. Senti uma sensação de traição, ódio e culpa”, frisou José Cícero.

O dia demorou a passar. O caminhoneiro fez várias ligações para o celular de Josivaldo, que estava sempre desligado, assim como para a guarita da empresa, onde a resposta era sempre negativa.

Ao retornar a Maceió, no início da noite, José Cícero deixou o caminhão na empresa e foi até a casa de Josivaldo, na Canafístula. Ao chegar no local, as mesmas pessoas do dia anterior se encontravam na calçada da suposta casa de Josivaldo. Ao perguntar sobre ele, os moradores disseram não conhecer ninguém por este nome. Quando disse que o havia deixado no dia anterior naquele mesmo local, os moradores lembraram que um homem desconhecido havia descido de um carro e cumprimentado todos eles, como se fossem velhos amigos. Ou seja, Josivaldo, para enganar o caminhoneiro, se fez de amigo das pessoas que, respeitosamente, lhe devolveram o cumprimento.

Desesperado, José Cícero lavrou um boletim de ocorrência por furto contra Josivaldo e lembrou que no dia anterior, antes de deixá-lo em casa, foi até uma agência bancária, que possui um sistema de câmeras na parte externa. De posse das imagens, o caminhoneiro vem confeccionando cartazes com a foto do acusado para tentar localiza-lo, assim como seu veículo, um Gol 2002, cor cinza, placa MUU 4609 e chassi 9BWC05X82P024501.

O pior de tudo é que o veículo está financiado em 60 meses e o caminhoneiro pagou apenas 16 parcelas. “Sou obrigado a continuar pagando o carro mesmo sem tê-lo, uma vez que a empresa que trabalho exige que tenhamos o nome limpo, pois carregamos cargas de alto valor e só podemos viajar com seguro”, finalizou o caminhoneiro, pedindo a ajuda de todos. Quem souber do paradeiro do veículo ligar para (82) 9993-4171, que será recompensado. Já para quem reconhecer o acusado, denunciar a polícia, através do Disque Denúncia ou 190.