Depois da divulgação, pelo GLOBO, da foto do falso médico Silvino da Silva Magalhães, de 40 anos, que atuava como obstetra e ginecologista no Hospital das Clínicas de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, proliferaram as denúncias de pessoas que foram atendidas por ele.
Pelo menos três bebês e uma gestante morreram, somente este ano, segundo o delegado-adjunto da 54 DP (Belford Roxo), Antônio Silvino Teixeira, durante os partos feitos por Silvino, estudante do 9 período de Medicina da Universidade de Nova Iguaçu (Unig).
Em dois dias, sete vítimas do médico procuraram a delegacia. Todos os casos estão sendo investigados.
— Com certeza, houve negligência médica. As famílias confirmaram que foram atendidas pelo falso médico, que fez os partos no hospital. Quando os bebês morriam, quem comunicava o óbito era um dos donos da clínica, o doutor Deodalto (o médico José Ferreira Deodalto). Era ele quem assinava os atestados, uma forma de preservar o estudante. Isso já demonstra a cumplicidade entre os dois — avaliou o delegado.
Segundo o delegado de Belford Roxo, entre os casos que chegaram à delegacia, um dos mais graves foi o de Lucimar de Paula Dias, de 33 anos, que morreu durante o parto, em 9 de maio deste ano. A criança também não sobreviveu.
Ao ver a foto do falso médico, o marido dela, o vigia André Souza Carvalho entrou em choque. Segundo o depoimento de André, o falso médico teria dito que a mulher dele morreu vítima de eclâmpsia, embora ela nunca tivesse tido problemas de pressão alta.