Com 45 anos de idade e prestes a encerrar a carreira, o árbitro José Elias Santos Filho concedeu entrevista exclusiva ao Portal Cada Minuto, sobre alguns fatos que ocorreram ao longo do exercício no futebol alagoano.
José Elias foi escolhido o melhor árbitro da temporada, mas devido à idade não conseguiu ser integrante do quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Cada Minuto: O que motivou a você ser árbitro de futebol?
José Elias: O meu sonho era ser jogador de futebol, inclusive cheguei até a passar em alguns testes no CSA, a época levado pelo preparador físico Jorge Cabral, mas o meu pai era muito ‘duro’ e não permitiu que eu continuasse a jogar, e ele era torcedor do CSA.Então, como meu pai não permitiu que eu fosse jogador de futebol, comecei a me dedicar aos estudos e com 25 anos de idade, eu já era integrante da Liga de Futebol Amador (LIFAMA), apitando jogos amadores nos bairros de Maceió.
CM:Como você chegou a Federação Alagoana de Futebol?
José Elias: Certa vez fui convidado para ir a uma festa da FAF, ao chegar nesta festa conheci o Sebastião Canuto da Hora, então presidente da Comissão Nacional de Arbitragem e fui apresentado ao mesmo. Daí para frente, ele começou a me sabatinar sobre as 17 regras do futebol e ficou abismado pelo meu conhecimento. Graças a Deus hoje estou aqui no profissional.
CM: Você só fica apitando até o fim da Segunda Divisão e depois se aposenta. É verdade que você vai sair e deixar um recorde a ser quebrado?
José Elias: Eu não entrei na FAF para perder testes. Recentemente meu teste físico foi excelente para idade que tenho (45 anos). No percurso fiz um tempo de 17 segundos e 50 centésimo.
CM: Quando deixar a arbitragem o que você pensa em fazer ligado ao futebol?
José Elias: Tenho alguns convites para apitar futebol em ligas amadoras e um dia desses, eu estava conversando com o Hércules Martins, atual presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, ele tocou em uma situação importante: Ele está me incentivando a fazer um curso de instrutor da CBF. Logicamente que é um caso a se pensar.
CM: Ao longo desse tempo na arbitragem tem algo te marcou muito?
José Elias: Todo árbitro tem uma situação que ele leva para o resto da vida. Estava comandando uma partida entre Corinthians-AL e CSA, acredito que em 2007, quando o Fábio Neves saiu de campo para ser atendido, logo em seguida, eu autorizei a entrada dele no campo de jogo. Ele (Neves) recebeu a bola e fez o gol! Nesse episódio todo mundo passou a me criticar alegando que eu tinha errado, mas o jogador quando entrou em campo, autorizado por mim, estava fora da área de ação da jogada. Agora depois a bola sobrou para ele. Tenho certeza que não errei.
Outro fato foi em uma decisão do primeiro turno entre CRB e ASA, em 2006, quando trabalhei com o árbitro Wilson de Souza Mendonça. Éramos quarto árbitro, eu e o André Romeiro. O Wilson pediu para irmos aos vestiários passar algumas instruções, nós fomos e quando voltamos, ele pediu para que fossemos mais uma vez.
Logicamente, eu não aceitei ficar indo para lá e para cá, ai disse a ele que eu era tão árbitro quando ele, o que diferenciava, era que o Wilson era FIFA e eu não, mas tinha conhecimento da regra tanto quando ele. Daí para frente ele se fechou comigo, mas hoje somos amigos, nos falamos sempre que podemos.
CM: Qual o árbitro que você se espelha, ou melhor, admira na hora do apito?
José Elias: Gosto muito do Paulo César de Oliveira, apesar de achar que ele mudou um pouco em relação ao inicio da carreira dele, mas acho que Paulo César dispensa comentário. O outro que eu admiro é o Sidrack Marinho, esse na verdade me fez partir para arbitragem, pelo jeito de ser dele. O Sidrack pode até não ter participado de uma Copa do Mundo, mas era FIFA e foi um dos maiores árbitros que esse Brasil já teve. O que me chamava atenção do Sidrack era que ele tinha um domínio e tanto do jogo.
