As denúncias de compra de votos em Ibateguara ganharam um novo pivô: o candidato a deputado federal João Caldas (PSDB). Além disso, como noticiou ontem em primeira mão o Cada Minuto, o caso mostra o acirramento da disputa nos bastidores da coligação tucana que concorre às vagas na Câmara dos Deputados.

A informação veiculada pelo jornal Gazeta, de que Caldas “telefonou logo cedo para a Gazeta na manhã de sexta (3)” para fazer supostas denúncias,acabou por inserir João Caldas no rol de peças-chave da trama.

Caldas é adversário de João Ferreira Júnior, ou Júnior Cocão, presidente do PSDB de Ibateguara. Marcelo Victor (PTB) acusa Caldas de armação. Ainda na quinta (2), dia da operação em Ibateguara, a própria polícia negou envolvimento de Rui Palmeira (PSDB). A denúncia do MCCE que motivou a operação no município envolvia somente Marcelo Victor e um candidato a governador.

João Caldas tem passado polêmico

João Caldas foi alvo de pedido de condenação pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação no escândalo das Sanguessugas. O MPF acusa João Caldas de desviar verbas destinadas à aquisição de ambulâncias para o município de São Sebastião, entre os anos de 2002 e 2003, esquema nacionalmente revelado pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal.

De acordo com a Ação do MPF, de 14 de julho de 2010, o esquema consistia no pagamento a João Caldas de 10% - a título de comissão – das emendas destinadas ao município e propostas por ele mesmo, quando ainda deputado federal. Só as emendas de João Caldas para a compra de ambulâncias somariam mais R$ 2,97 milhões, segundo a Justiça Federal. Na época, PPS, PV e PSOL chegaram a pedir a cassação do então deputado.

A quadrilha, segundo o MPF e a Polícia Federal, teria fraudado licitações beneficiando empresas integrantes do esquema como a Planam, de propriedade do empresário Luiz Vedoin. Se condenado, de acordo com o MPF, Caldas terá que ressarcir os cofres públicos e pode perder os direitos políticos por até 10 anos.

Na Operação Sanguessuga, depoimento de Luiz Vedoin disponível no site do Senado acusa e descreve, como seria de acordo com o depoente, a participação de Caldas no esquema. Clique no final da matéria para ler o depoimento de Luiz Vedoin, na íntegra.

A trajetória política de Caldas começa em 1983, quando é eleito vereador em Ibateguara, sua cidade natal, e a qual governou como prefeito em 1989. Nos anos 90, João Caldas foi Secretário de Agricultura, e teve seu nome envolvido no escândalo do Programa de Apoio ao Pequeno Produtor (PAPP).

Em 1995 chegou à Assembléia Legislativa e em 1999 à Câmara dos Deputados em Brasília, sendo reeleito em 2002 mas perdendo as eleições de 2006. Em 2010, seu filho João Henrique Caldas disputa vaga para a ALE.

No governo FHC, Caldas recebeu concessões para emissoras de Rádio e TV de caráter educativo, fato que levou o Prof. Venício Lima da UNB a inserir o nome do então deputado no estudo “Coronelismo Eletrônico: autorizações de emissoras como moeda de barganha política”.

Depoimento de Luiz Vedoin - Fonte: Senado Federal