Em meio a tantos acontecimentos inusitados, disputas acirradas e ofensas diretas – ou veladas – o eleitorado vem se posicionando à sua maneira. O que se fala ou circula pela cidade é um grupo votante cada vez mais ‘debochado’, que expõe os seus votos de forma particular: na contramão de todo e qualquer princípio ideológico ou partidário.

Como exemplo, podemos aplicar o caso do eleitor – na Cruz das Almas – que declarou seu voto ao Senado para Heloísa Helena (PSOL) e Renan Calheiros (PMDB). Ele colocou uma placa em que expunha, publicamente, suas preferências. Fato que causou espanto em quem passa pelo local. Afinal, os dois são adversários políticos declarados: a ponto de inviabilizar a materialização de tal ‘cumplicidade’.

A questão vai mais além. O cientista político, Alberto Saldanha, chegou a interpretar o caso como uma ‘gozação’. “Ou então o cidadão não tem o mínimo de conhecimento da história política alagoana”, ponderou. O professor universitário reforça a sua teoria com base na perda da ideologia partidária.

Saldanha declara que as articulações são feitas deixando de lado a história político-ideológica de um grupo ou candidato. “O que se visa nos dias de hoje é meramente o resultado. Acordos são selados com o objetivo, único e exclusivo, de atingir um coeficiente capaz de eleger um nome, ou legenda, em causa própria”, declara.