O governo mexicano revelou na quarta-feira que um hondurenho também sobreviveu ao massacre de 72 imigrantes ilegais no Estado de Tamaulipas, no norte do México, na pior chacina registrada na violenta guerra entre traficantes no país.

Até agora as autoridades diziam que o único sobrevivente era um equatoriano. Havia dois brasileiros entre os mortos encontrados por soldados da Marinha local numa fazenda próxima à fronteira com os Estados Unidos.

"A Procuradoria Geral da República tem sob resguardo e proteção um cidadão hondurenho na qualidade de testemunha, que trouxe informações relevantes para a identificação dos supostos responsáveis", disseram a Procuradoria Geral e a chancelaria em nota conjunta.

A informação foi divulgada depois que o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou na terça-feira à noite que o equatoriano havia dito que existia outro sobrevivente.

O texto não deu detalhes sobre a condição de saúde do hondurenho, sobre sua localização nem como conseguiu sobreviver, mas a imprensa local disse que ele não está ferido.

Aparentemente, os imigrantes pretendiam cruzar a fronteira para os Estados Unidos, mas foram interceptados pelos Zetas, uma violenta dissidência do Cartel do Golfo. Os dois grupos disputam as lucrativas rotas do envio de drogas para o mercado norte-americano.

O equatoriano, que segundo versões da imprensa percorreu 22 quilômetros até conseguir alertar sobre a chacina, voltou ao seu país na noite de domingo, em um avião enviado por Quito.

Mais de 28 mil pessoas, principalmente vinculadas aos cartéis, já morreram por causa da violência do narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón assumiu o poder e mobilizou os militares para enfrentar as quadrilhas, no fim de 2006.