O candidato ao Governo de Alagoas Fernando Collor de Mello (PTB) voltou a ser instrumento de ataque de José Serra (PSDB) contra a sua adversária, Dilma Rousseff (PT). Depois de ser usado, ao lado de Renan Calheiros (PMDB), para denegrir a imagem da petista, o tucano utilizou o nome do ex-presidente para comparar o episódio de vazamentos de dados da Receita Federal que envolve tucanos e também sua filha, Verônica Serra.

“Hoje veio a público um fato criminoso, que foi a quebra do sigilo da minha filha [Verônica Serra]. Utilizar filhos dos outros para ganhar eleição, eu só me lembrava de Fernando Collor ter feito isso com o Lula, para ganhar em 1989. A turma da Dilma está fazendo a mesma coisa, pegando a minha filha, que não faz política, para me chantagear porque tem preocupação quanto à minha vitória”, disparou – em entrevista.

Para Serra, Dilma repete a tática de campanha do ex-presidente. “Agora que eles são aliados, quem sabe ele tenha transferido a tecnologia”, alfinetou. Questionado sobre o fato de a Receita Federal dizer que o acesso aos dados de sua filha foi feito a pedido dela mesma, o candidato disse que "isso é mentira descarada".

Defesa discute estratégia para rebater o uso da imagem

Os advogados de defesa do candidato estão em Brasília e devem discutir o assunto com ele, ainda esta quarta-feira. De acordo com Fábio Ferrário, o ex-presidente é uma figura de destaque da política nacional, talvez por isso, ele venha sendo usado com tanta intensidade nas campanhas federais.

“O fato de ele ter sido presidente muito novo, retirado através de um golpe de Estado e muitos dos que votaram, por seu afastamento, terem declarado que o resultado seria diferente, torna o seu nome ainda mais forte. Mas, por outro lado, - em âmbito estadual – mostra claramente que ele faz parte do grupo petista: enquanto muito se tenta provar o contrário”, dispara o advogado.

Neste sentido Ferrário ressalta que ligações como esta só fazem ressaltar a unidade de seu cliente ao grupo petista e a importância que Fernando Collor teve – e ainda tem – para a história política nacional.