Um alerta para quem vai sair de carro nesta terça-feira: cuidado na hora de estacionar. Os flanelinhas ainda estão a solta.
Estacionar à noite, na rua, tem preço: “São R$ 20 lá no estacionamento e R$ 10 ou R$ 5 aqui”, diz um flanelinha.
E eles exigem pagamento: “Você deixa R$ 5, então, se você não for ficar depois você deixa mais R$ 5”. Depois que o motorista disse que não iria deixar R$ 5, o flanelinha pede apenas R$ 3.
As mulheres são as principais vítimas. “Ele deu a entender que ele ia levar meu carro se eu não pagasse R$ 5 antes de eu voltar de onde eu tava indo. Eu fui para outro lugar, não paguei. Acho um absurdo, não pago”, reclama a cineasta Ariadne oliveira.
É comum o flanelinha receber adiantado e ir embora, ou seja, o serviço é apenas é um motivo para extorsão. E isso não acontece apenas à noite, durante o dia também, muitas vagas do rotativo são exclusivas dos tomadores de conta dos carros.
Cobrar para olhar os carros está proibido em Belo Horizonte, desde maio deste ano, quando foi aprovada uma Lei Municipal. Mesmo assim, eles continuam nas ruas, ocupando o espaço público.
“Aqui são dez trabalhadores. São cinco guardadores e cinco lavadores. É um ‘realzinho’ que eu dou pra cada. Nós pegamos os R$ 10 adiantados porque hoje vai esgotar tudo” explica o guardador de carros.
No centro de São Paulo os flanelinhas marcam as vagas com caixotes. Elas só são liberadas depois do pagamento. Muitos carros são estacionados em locais proibidos. Para tentar coibir o loteamento das vagas, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito e quer cadastrar todas as pessoas que trabalham como flanelinha na cidade.
No Rio de Janeiro, cerca de 600 guardadores de carro foram presos, neste ano, em operações da Prefeitura. A situação é pior na Zona Sul, onde há muitas praias e pontos turísticos. A polícia orienta nunca discutir com o flanelinha e tentar buscar outra vaga.
Ana Paula ficou indignada depois que o carro dela foi arranhado. Ela se recusou a dar dinheiro para o guardador de carros que estava em uma área de estacionamento rotativo.
“A gente batalha pra ter o carro pra todo mês, está pagando a prestação do carro em dia, aí quando vai ver é um absurdo desse? A gente sai no prejuízo”, conta a faturista Ana Paula de Andrade.