A polícia espanhola prendeu nesta terça-feira (31) 14 pessoas por manter homens obrigados a se prostituir em estabelecimentos da Espanha. Os aliciadores são em sua maioria, brasileiros, assim como as vítimas, informou o jornal espanhol El País.

O veículo espanhol também precisou que as vítimas estão entre 60 e 80 homens que trabalhavam em estabelecimentos diferentes cidades espanholas.

No Brasil, a Polícia Rodoviária Federal informou que existe um crescimento nas abordagens a aliciadores na região Norte e na Nordeste do país, relacionados ao menor desenvolvimento da área.

No entanto, a polícia a assessoria da polícia informou que a exploração sexual de homens é algo relativamente novo, principalmente se comparada à quantidade de casos com mulheres.

Muitas vezes a oferta para trabalho ilegal pode se transformar em servidão e escravidão, de acordo com polícia brasileira. A Polícia Rodoviária Federal informou que já se tem observado o fluxo de homens pelas estradas no país, mas que a finalidade de do tráfico destas pessoas é variada.

Já na Espanha uma abordagem destas proporções em relação ao tráfico de homens é inédita. Apenas a cidade de Madri abrigava três locais de prostituição. Outras cinco instalações ficavam em Palma de Mallorca, uma em Barcelona, outra em Torrevieja (região de Alicante) e mais uma, o Club Brindis, em Mansilla de las Mulas, em León.

Homens consumiam drogas para aumentar “produtividade”

Os policiais informaram ao jornal espanhol ABC que muitos deles eram travestis e que consumiam drogas para aguentar 24 horas de prostituição. Além de Viagra e cocaína, eles também faziam uso de popper, um produto vasodilatador.
Uma outra revelação chocante foi feita pela polícia, os aliciadores chegavam a trocar homens, mediante a pagamento, para outros grupos de exploração sexual para, assim, renovar sua oferta para os clientes. Caso apresentassem resistência, os as vítimas eram ameaçadas até com a morte.

A maioria das vítimas pensava que ia para a Espanha como modelo ou dançarino de casas noturnas. Outros sabiam que iam trabalhar com prostituição, mas eram enganados em relação às condições de trabalho, informou o jornal espanhol El País.

Inicialmente se dizia aos jovens que eles tinham que desembolsar apenas a passagem de avião para ir à Espanha, mas uma vez lá, os aliciadores exigem até R$ 8.930 (4.000 euros), também de acordo com o País. A passagem de avião era paga com cartões clonados.

A rede atraía clientes com anúncios nos classificados de jornais e em sites, que exibiam fotografias dos jovens disponíveis. Na Espanha, o ABC informa que os rapazes tinham de circular pelas casas de prostituição conforme a necessidade dos chefes da organização.
O ABC também relata que o preço de um serviço de meia hora era de R$ 134,1 (60 euros). Desse valor, 50% iam para as mãos do aliciador, que também cobrava mais R$ 447 (200 euros) por alojamento e comida.

Os homens viviam no mesmo local onde estavam as casas de prostituição, amontoados em pequenos quartos que dividiam em até seis pessoas.

Apenas a cidade de Madri abrigava três locais de prostituição. Outras cinco instalações ficavam em Palma de Mallorca, uma em Barcelona, outra em Torrevieja (região de Alicante) e mais uma, o Club Brindis, em Mansilla de las Mulas, em León.

A organização também captava vítimas do sexo feminino, mas na proporção de nove homens para cada mulher, de acordo com o ABC.

Os veículos espanhóis não mencionaram o status migratório dos homens, mas informaram que a polícia deste setor está envolvida. No entanto, os aliciados que colaborarem com a polícia vão poder pedir a autorização de residência na Espanha, informou o jornal espanhol El Mundo.