Haja fôlego para correr seis quilômetros na esteira e nadar dois mil metros. Para o empresário Jorge Luís da Silva, hoje em dia, isso não é tão difícil assim. Mas há dois anos e sete meses, era quase impossível.

“Com o cigarro, a fadiga vem rapidinho, mesmo sem fazer atividade física. O cansaço vem para qualquer atividade, como trocar o pneu de um carro”, fala o ex-fumante. Dos 55 anos de vida, Jorge foi fumante por 36. Eram 40 cigarros por dia até que, uma hora, o corpo cansou.

“Não conseguia me imaginar sem fumar. Ao mesmo tempo, não conseguia pensar como eu chegaria aos 60, 70 anos. Se chegasse a essa idade, porque tem o caso de um irmão que faleceu em função de um enfarto por causa do cigarro”, conta o empresário.

Em Brasília, oito pessoas morrem vítimas de doenças causadas pelo cigarro todos os dias. E a venda de tabaco não paga as despesas que o governo tem com os pacientes vitimas do fumo.


De acordo com a Secretaria de Saúde, são arrecadados R$ 6 milhões por mês em impostos com a venda de cigarros, mas o gasto com os fumantes em tratamento médico é o triplo: R$ 18 milhões.

“No segundo andar do Hospital de Base, que é a parte de cardiologia, praticamente todo mundo que está se recuperando de um enfarto agudo do miocárdio ou está se tratando de doença hipertensiva grave é fumante”, afirma o coordenador do Programa de Tabagismo da Secretaria de Saúde, Celso Rodrigues da Silva.

“No terceiro andar, que é de angiologia, 90% dos que estão internados estão esperando o momento de amputar uma perna por causa de uma doença vascular periférica causada pelo cigarro. Na área de cirurgia, quem está esperando lá são pessoas portadoras de câncer causado pela fumaça do cigarro”, acrescenta o coordenador.

E ele alerta: “O cigarro é o maior problema de saúde pública do momento”.

Fumar já foi sinônimo glamour. Hoje, no entanto, tem fumante que sente vergonha só em acender o cigarro, mas não larga o vício. “Já tentei parar de fumar por seis meses, mas voltei por sem-vergonhice. Esse é o vício mais sem-vergonha que existe”, diz um homem.

Mas há quem consegue superar o desafio: “Quando parei de fumar, foi uma surpresa para minha família. Tomei essa iniciativa por mim mesmo e consegui. Parei no dia 17 de março de 2008. Depois de deixar o cigarro, a palavra cansaço saiu do meu vocabulário”, comemora um ex-fumante.

Para quem quer parar de fumar existem centros de apoio da Secretaria de Saúde. Informações pelo telefone 3346-5770.