Com a iminência da impugnação de Ronaldo Lessa (PDT) e prováveis substituições dos nomes que encabeçam a chapa – o ex-governador e o vice Joaquim Brito (PT) - o portal CadaMinuto entrevistou o cientista político, Eduardo Magalhães, para saber onde estaria o voto ideológico e no que sustenta a possibilidade de transferência de votos: como exemplo, o caso de Lessa e o posicionamento solitário do PSOL.


Neste sentido, o cientista não fez cerimônia e taxou: ‘o voto ideológico, praticamente, deixou de existir’. Ele conta que a ideologia que se tem conhecimento, construída entre 1970 e 1980, foi substituída pelo conceito de preferências. “É uma espécie de compatibilidade. Não falamos mais de partidos, nem tampouco classes, mas escolhas que se fundamentam em uma sintonia: seja com resquícios ideológicos ou meros posicionamentos dos postulantes”.


De acordo com Eduardo Magalhães, este fator compromete o conceito de transferência de votos. “Este conceito pode existir, mas precisa de comprovação. É como o caso do presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff – ambos petistas. Estamos lidando com um exemplo partidário, com a campanha massiva de transferência, que não acompanha o percentual do atual gestor: ela tem apenas 50% das intenções de votos”, pontua.


Ao ser questionado sobre o caso do PSOL, que manteve o discurso de uma candidatura ‘puro sangue’, como critério de unidade e garantia de candidatos ‘Ficha Limpa’, Magalhães foi ainda mais implacável: ‘não é nada de puro sangue, o que se vê é a corrida de apenas um cavalo’, dispara. Ele conta que isso se deve ao fato da vereadora Heloísa Helena (PSOL) ter entrado no partido.


“A partir do momento em que Heloísa Helena ingressou no partido, ele adquiriu a sua identidade: numa espécie de discurso uníssono”, alfineta. Neste sentido, o cientista político credencia o posicionamento sem aliados à tentativa de garantir a eleição da candidata ao Senado. “Trata-se de um ato político extremamente louvável, mas, enquanto democrático: fica a desejar”, conclui Eduardo Magalhães.