O candidato da Frente Popular por Alagoas ao governo do Estado, Ronaldo Lessa (PDT), defendeu nesta terça-feira (24), durante debate com economistas, no Hotel Ponta Verde, uma maior participação da sociedade civil organizada nas discussões de um plano de governo que atenda a todos os segmentos.
“Estamos abertos ao diálogo; não existe nada pré-estabelecido; vamos resgatar a participação democrática, discutindo ideias que colaborem para o fortalecimento de Alagoas”, disse.
Ronaldo Lessa ressaltou que buscará alinhar os projetos que deram certo em âmbito federal com o presidente Lula para colocá-los em prática em Alagoas. “Meu interesse é governar com a participação de todos; para errar o menos possível e buscar solucionar os graves problemas sociais que ainda atingem a maioria da população”.
Segundo o presidente do Sindicato dos Economistas de Alagoas, Marcos Calheiros, o evento serviu para que o candidato pudesse apresentar seu plano de governo; expor ideias e mostrar saídas para minimizar a crise, principalmente na área social. “Aqui estão reunidos professores universitários, executivos, economistas, ex-secretários, ex-presidentes e ex-dirigentes de diversos órgãos da administração pública. Esse evento é uma oportunidade para que possamos discutir pontos estratégicos, fazer questionamentos e apresentar propostas”, enfatizou.
No evento, Lessa recebeu um documento com as principais propostas da categoria, a exemplo da retomada do processo de industrialização do Estado, da pesquisa e extensão rural e a interiorização dos distritos industriais, entre outras.
Lessa fez um retrospecto do caos administrativo em que o Estado se encontra, principalmente em área essenciais como saúde, educação e segurança, e classificou de mentirosas as informações divulgadas pelo atual governo de que recebeu um rombo de R$ 400 milhões dos seus antecessores.
“Na transição, o governador participou de todas as discussões.
Ele foi devidamente informado sobre os restos a pagar e a receber deixados pelo Abílio (ex-governador Luiz Abílio). No documento de prestação de contas consta, inclusive, a assinatura dele atestando a veracidade das informações. Agora, ele só fala dos restos a pagar. E os restos a receber que deixamos, por que ele não fala?”, questionou.
“É um absurdo o que ele está fazendo com a memória do Abílio; ele morreu com os bens bloqueados. De uma hora para outra fomos classificados como ladrões”, desabafou. “É muita injustiça! Tem que se ter muita paciência para ser gestor público nesse Estado”, completou.
Questionado sobre se iria dar continuidade às obras do Canal do Sertão e o que faria para atrair mais indústrias para o Estado, ele foi enfático: “Outra mentira deslavada desse governo que está aí: as obras nunca foram paralisadas. O governo federal já garantiu recursos do PAC 2 e 3 (Programa de Aceleração do Crescimento).
Não existe nenhum possibilidade de que haja descontinuidade. Mas é preciso ficar atento para que o Canal do Sertão não se torne mais um instrumento de concentração de renda ,beneficiando apenas os grandes produtores. Temos que pensar a melhor forma de utilização de toda a área do entorno, com incentivo também à agricultura familiar; a economia solidária”.
Com relação à atração de novas indústrias, Ronaldo Lessa defendeu ainda uma política específica para o interior, com a descentralização dos polos industriais, explorando as potencialidade de cada região, e a definição de uma política de incentivos fiscais. “Todo esse processo foi iniciado em meu governo. O Estado estava estabilizado; deixamos a ‘cama pronta’ para o meu sucessor”.
Sobre o ‘acordo dos usineiros’, firmado no governo Collor, Ronaldo Lessa lembrou que a categoria ficou sem pagar impostos por 14 anos. “A farra acabou no meu governo, e os usineiros, responsáveis pela falência do Estado, inclusive o Produban, voltaram a pagar impostos como qualquer outra pessoa. “Eles ainda têm um débito de R$ 300 milhões, se estão pagando isso não sei dizer”.
Lessa disse ainda que irá retomar o processo de valorização do servidor público, com a realização de concursos idôneos, salários dignos e melhores condições de trabalho. “É preciso contratar mais professores, mais policiais, mais profissionais da área de saúde. A sociedade sofre com a falta de segurança; os jovens estão entrando cada vez mais cedo no mundo das drogas. O clima é total insegurança.
Não adiante comprar armas, viaturas, se não temos pessoal qualificado e motivado para trabalhar. Os médicos estão indo embora para outros estados por falta de condições dignas de trabalho aqui. “Do jeito que está não dá mais para ficar”, finalizou.
Os candidatos da Frente Popular por Alagoas, Judson Cabral (PT) e Sérgio Toledo (PDT), entre outras lideranças políticas da coligação, prestigiaram o evento

