O governo de Hong Kong, na China, confirmou nesta segunda-feira (23) a morte de ao menos sete turistas chineses que estavam no ônibus sequestrado por um ex-policial em Manila, capital das Filipinas. O sequestrador também foi morto pela polícia durante a invasão do veículo.
A informação foi confirmada pelo secretário do Interior das Filipinas, Jesse Robredo, citado pela agência de notícias Reuters.
- Sete turistas morreram e oito pessoas ficaram feridas.
A maneira como a polícia filipina conduziu a situação, com diversas tentativas frustradas de entrar no veículo ou quebrar suas janelas, gerou críticas por parte do chefe do Executivo de Hong Kong, Donald Tsang. Em entrevista veiculada pela rede CNN, com a voz embargada, ele não poupou a ação dos policiais.
- A maneira como isso foi conduzido foi decepcionante.
Quatro corpos foram levados para o Doctor's Hospital de Manila, onde um refém também estava internado em condições críticas, de acordo com o diretor de emergências Faith Gaerlan.
- Até o momento temos cinco vítimas. Quatro são mortes confirmadas e a quinta está em condições críticas.
Outros dois hospitais receberam três corpos, de acordo com os respectivos serviços de emergência.
Drama durou mais de dez horas
O drama em Manila começou por volta de 9h desta segunda-feira (22 h de domingo no Brasil), quando o ex-policial Rolando Mendoza entrou no veículo, que vinha de uma visita ao centro histórico da capital filipina. O ônibus estava a apenas 150 m de uma delegacia e transportava 25 pessoas, entre elas 22 turistas chineses.
Mendoza, que tinha patente de capitão, foi afastado da polícia em 2008, após ser acusado de roubo, extorsão e tráfico de drogas. Ele queria ser reintegrado ao seu emprego e desejava a absolvição pela Defensoria do Povo das Filipinas das acusações que recebeu.
Em uma cartolina, o sequestrador uniformizado escreveu as condições para libertar os reféns e colocou nas janelas do ônibus. A negociação também ocorreu pelo telefone celular do motorista.
Primeiro, Mendoza libertou seis reféns - três mulheres e três crianças. Em seguida, pediu comida. As autoridades informaram que o primeiro grupo foi imediatamente encaminhado para cuidados.
Após mais algumas horas, o sequestrador libertou mais dois reféns, um filipino e um homem de meia idade, que alegou necessitar de cuidados médicos.
Em seguida, mais um homem foi libertado de forma pacífica. Pouco tempo depois, houve um desentendimento na mediação, que era feita por um irmão do sequestrador, e os ânimos se tornaram mais acirrados.
Um homem, então, saiu correndo do ônibus e disparos foram ouvidos. O fugitivo era o motorista do veículo, que disse que Mendoza havia atirado contra todos e que os turistas chineses estavam mortos.
A primeira informação foi, no entanto, desmentida, e a polícia iniciou a operação para invadir o ônibus, quebrando vidros e portas, mas não obteve sucesso. Pouco tempo depois, uma segunda operação se iniciou, com a tentativa de entrar pela saída de emergência, mas após penetrarem brevemente no veículo, os policiais tiveram de sair.
Houve então mais um tiroteio, e uma bala atingiu uma pessoa que estava fora do ônibus, um civil, socorrido imediatamente.
Na terceira tentativa, os policiais entraram no veículo. Momentos depois confirmaram que o atirador estava morto