A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) vai propor aos candidatos a presidente de todos os partidos a criação de centros cardiológicos de pesquisa em todas as regiões do país, a redefinição do atendimento a portadores de doenças cardíacas e a realização de ampla pesquisa nacional para conhecer a exata dimensão da realidade dos pacientes pós-enfartados.
Essas propostas, acrescidas de outras, estão contidas num relatório elaborado ontem em Maceió durante a reunião anual da entidade, e será entregue ainda no próximo mês durante um evento médico nacional em Brasília. “Não temos preferência partidária. Nossa iniciativa é técnica. Assim, entregaremos as propostas a todos os candidatos, independente do desempenho que venham tendo nas pesquisas de intenção de voto”, disse Jorge Ilha Guimarães (RS), presidente da SBC.
Caberá a ele e ao cirurgião-cardíaco alagoano José Wanderley Neto, diretor da entidade para relações com o governo, a apresentação e entrega das propostas aos candidatos presidenciais.
Baixo investimento – Jorge Ilha explicou que o conjunto de propostas da categoria representa, na prática, baixo investimento para o governo federal, “principalmente se considerarmos a relação custo-benefício”.
- O que o governo gasta no tratamento de pacientes é muito superior ao que pode ser investido na prevenção. Na medida em que tenhamos, por exemplo, uma fotografia exata da situação dos pacientes vítimas de enfarte após terem recebido alta, poderemos identificar o que faz com que retornem ao hospital com o mesmo problema e daí tomar providências – disse.
Ele ressaltou que o Brasil é campeão mundial de internações por insuficiência cardíaca “porque não há nenhum programa efetivamente preventivo”. Além disso, apenas 10% dos portadores de hipertensão recebem acompanhamento médico. Por essa razão, explicou, a entidade quer a rediscussão do atendimento oferecido aos portadores de doenças cardíacas.
Jorge Ilha considera, no entanto, que a proposta fundamental é a de criação de centros de pesquisa na área nas diversas regiões brasileiras, principalmente as consideradas mais pobres, que têm maior dificuldade de acesso a informações técnicas avançadas.
A partir desses centros a entidade pretende estimular programas conjuntos entre os três níveis de governo, liderar campanhas e promover pesquisas científicas para melhorar a identificação e tratamento das cardiopatias.
- Para isso – acrescentou – a SBC se prontifica a treinar profissionais e ensinar tudo que há de mais moderno em pesquisa científica. Precisamos apenas do apoio do governo federal para que esses centros possam se tornar realidade.
Visão social – O cirurgião-cardíaco José Wanderley Neto defendeu que as entidades médicas interfiram junto ao governo na definição e condução da política nacional de saúde, a partir de uma visão de responsabilidade social.
- É preciso que as entidades saiam do casulo científico e se tornem efetivamente ativas no processo de ajudar as pessoas, senão não haverá sentido de existir. O que a SBC está fazendo é isso. Queremos colaborar com o futuro governo e ajudar a mudar o quadro atual.
Para ele, o momento é de a medicina se voltar para uma prática mais social e humanizada, que possa ajudar aos brasileiros que hoje têm dificuldade para receber atendimento médico. “É o momento de implementarmos no país uma cardiologia social, e esperamos para isso contar com apoio do futuro presidente”, disse ele.
