A empresa Ocean Air Táxi Aéreo, proprietária do avião que caiu nesta quinta-feira (12) na baía de Guanabara, investiga se uma pane elétrica e mecânica provocou o acidente. A informação é do diretor de operações da empresa, Ricardo Santos.
Eles se baseiam em informações dos tripulantes - ninguém ficou ferido - e da empresa que acompanha o trabalho de resgate. A aeronave foi retirada da água por volta das 16h40.
O piloto relatou que perdeu comunicação com a torre de comando e teve de acionar o transponder - equipamento que posiciona o avião no radar - para conseguir pousar. O problema ocorreu menos de cinco minutos após o avião ter decolado do Santos Dumont.
A empresa diz que tem até cinco dias para apresentar ao Cenipa um laudo preliminar sobre as causas do acidente. Paralelamente ao Cenipa, a Ocean Air Táxi Aéreo também realizará uma investigação. O laudo do Cenipa tem 30 dias para ser concluído, com possibilidade de mais três de prorrogação.
Cavalo de pau
A aeronave decolou do Santos Dumont com destino ao Galeão. Antes de completar 1.000 pés de altura - cerca de 300 m - o piloto percebeu que os instrumentos do painel, que informam altura e velocidade, pararam de funcionar. O transponder indicou à torre de controle a situação de emergência e ele conseguiu pousar. Ao aterrissar, o avião percorreu toda a pista e, ao final, freou, levando a aeronave a dar um cavalo de pau. A cauda caiu para fora da cabeceira cerca de 3 m, ficando 2 m dentro da água.
- O fato de não ter instrumentos contribuiu para a aeronave não conseguir frear normalmente na pista. Ainda não se sabe até quanto a pane influenciou no funcionamento dos freios.
Os funcionários deixaram a aeronave sem ferimentos antes de o avião afundar. Durante a manhã, cerca de um terço do avião foi tomado pela água da baía de Guanabara. Após as 12h, a maré subiu e dois terços da aeronave foram tomados pela água, o que dificultou o resgate e um segundo guindaste com maior capacidade de içamento foi acionado.
As aeronaves passam por inspeções anualmente a última do Learjet que sofreu o acidente foi há três meses. Segundo o diretor operacional, o piloto tem experiência de 40 anos. Para Santos, a manobra foi uma decisão acertada.
- Ele fez um procedimento muito preciso e razoável, eu faria a mesma coisa.
As habilitações para voar do piloto e do copiloto estão suspensas até eles sejam submetidos a exames médicos, que podem indicar a necessidade de uma avaliação psicológica. A aeronave tem 24 anos e é avaliada em cerca de R$ 10 milhões.