Após 10 anos, a Justiça determinou que a indústria farmacêutica Schering do Brasil pague uma indenização de R$ 102 mil, além de correção monetária e juros, à dona de casa Maria Lúcia da Silva, 49 anos, que engravidou mesmo tendo tomado o anticoncepcional Microvlar. Ela perdeu o bebê aos oito meses de gestação.
Na época, um lote do anticoncepcional Microvlar foi distribuído sem o principio ativo. O caso ficou conhecido como a 'pílula de farinha' e causou transtornos a outras mulheres em todo o Brasil. A dona de casa já tinha um filho e, por recomendação médica, não podia engravidar, pois apresentava um quadro de saúde debilitado.
A sentença contra a farmacêutica foi definida em 4 de agosto, pelo juiz da 2ª Vara Civil da Comarca de Campinas, Fábio Henrique Prado de Toledo. Após a publicação, a Schering tem 15 dias para recorrer da decisão. A empresa informou que examina a possibilidade de entrar com recurso.
"A empresa sabia muito bem que havia problemas no anticoncepcional e mesmo assim continuou vendendo por mais de 40 dias", disse o advogado Décio Moreira, que representa Maria Lúcia. De acordo com ele, na época da gravidez de sua cliente, a Schering chegou a custear um tratamento clínico e internações. "Mas ficou só nisso", afirmou.
"Quanto vale a dor e o sofrimento das pessoas? Em decorrência dessa gravidez não planejada, ela correu risco de vida, passou por agravamento de sua saúde em geral, se submeteu a vários tratamentos e até hoje com sequelas", disse o defensor. O advogado também representa uma outra ação de uma cliente que já morreu, que também teve uma gestação não desejada por causa do uso do Microvlar. O processo está em andamento sob a responsabilidade dos filhos dela.