Dunga e Felipe Mello são apontados como culpados pelo fracasso na Copa-2010. Carlos Alberto Parreira e Roberto Carlos foram os vilões da vez no Mundial de 2006.
O diagnóstico se alastrou pela maior parte da mídia e refletiu-se no público. Os técnicos também sofreram ataques públicos do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Mas esse não é o diagnóstico feito do novo treinador da seleção brasileira, Mano Menezes, em entrevista à Folha. Para ele, falhas na organização da CBF pesaram nas duas eliminações. A falta de planejamento do trabalho na divisão de base, a de infraestrutura na Granja Comary e a de acompanhamento dos atletas da seleção no exterior são apontadas como erros. Disse ele que a confederação tem a mesma visão e prepara mudanças nesses itens.
Em campo, Mano disse que é preciso tempo e uma base para montar um time dominante e com posse de bola como a Espanha. Entende ser possível fazê-lo para 2014, mas sabe que será pressionado pelos resultados.
Folha - Já tem uma rotina como técnico da seleção?
Mano Menezes - Ainda estamos criando uma rotina. Acho que vai ser um pouco diferente no início, pela intensidade das atividades, que deve ser maior ainda neste início e pela questão da novidade, pela necessidade de se fazer muito mais coisas além da parte do técnico, de dentro do campo. Depois, as coisas se tornam mais normais, ficam mais repetitivas mesmo. Agora é adaptação, conhecimento de como funcionam as estruturas da seleção brasileira, eu costumo trabalhar dessa forma. Interajo com as instituições antes de propor qualquer alteração ou nova maneira de trabalhar. Justamente para não chegar com aquela arrogância. Chega, quer tudo novo, destrói tudo, como se fosse a gente o único a saber como as coisas funcionam. Nesse primeiro momento, é isso.
Como vai ser o relacionamento com os jogadores? Vai viajar para encontrá-los?
Muito próximo, mesmo. Porque existe uma dificuldade quando você se relaciona com jogadores que têm vínculos, contratos, com clubes, como é o caso dos que são convocados para a seleção brasileira. Muitas vezes você não conta com a boa vontade do clube. Então, para não incorrer nesse risco maior, é bom sempre estabelecer uma relação muito próxima com os jogadores. Para fazer isso, em determinados momentos, vamos ter que viajar. Em outros momentos, vamos expor projetos que temos para os clubes. Falo isso especificamente em relação à seleção olímpica.
Como convencer os clubes?
A Olimpíada não é um torneio reconhecido pela Fifa. Existe até a intenção contrária: de a Fifa não valorizar o torneio olímpico para não esvaziar a Copa. Então você precisa estabelecer uma ideia de que vai ser bom para o clube que determinado jogador esteja na Olimpíada, como valorização. E, para isso, precisa mostrar organização, projeto sério, deixar bem claro o período em que os jogadores vão estar à disposição, para que eles possam se planejar também. É mais provável que a gente possa obter sucesso nessa área se a gente trabalhar dessa forma.
Você vai fazer contato pessoalmente ou haverá gente para fazer isso? O coordenador de seleção participará?
Os dois deverão tocar. É lógico que o coordenador vai fazer toda a parte do projeto. Você precisa estudar calendário, ter dados bem objetivos para juntamente com o técnico fazer a explanação para eles. Esse é um dos papéis que eu pretendo que o coordenador desempenhe.
Houve um jogador que não queria jogar nesta primeira convocação...
Não foi assim. Estamos em pré-temporada. O que nós fizemos: fizemos uma pré-lista de 55 jogadores, um contato prévio. Não falamos que seriam convocados. Apenas perguntamos se estavam em condições de serem. Alguns ainda estavam no Brasil, ainda de férias. É importante que o jogador manifestasse a situação que ele estava. Por isso, impossibilitava convocação. Se não está nem treinando, ainda está de férias, era importante que ele nos dissesse. Fomos nós que, a partir dessa informação, soubemos quem não poderia ser convocado.
Você já sabia sobre a operação de Kaká?
Sabíamos dessa informação pelo doutor Runco [médico da seleção, José Luiz Runco]. Já era uma situação que vinha nos últimos dias sendo analisada e avaliada. Clinicamente chegaram a conclusão de que deveria ser assim.
Conversou com Kaká desde que assumiu?
Não. Porque os jogadores que jogaram a Copa, os mais titulares, que se desgastaram mais, que se expuseram mais, eu tinha uma ideia de, neste primeiro momento, de não incluí-los na convocação. Exatamente por isso: perde uma possibilidade de ser campeão, o desgaste é inevitável, jogadores já com trajetória na seleção... Para este primeiro momento, entendemos que eles não deveriam entrar.
E as exceções de sua lista?
Três exceções [Dani Alves, Ramires e Thiago Silva] porque não eram titulares, não foram tão utilizados. E o Robinho porque joga no Brasil, estava em atividade.
Há um limite de idade máxima para jogar a Copa?
Se usou muito o exemplo da Alemanha, que jogou uma Copa muito boa e que tinha como média de idade 24, 23, 25 anos. E aí, comparativamente com a nossa, foi estabelecida que a nossa estava numa média mais alta do que todas. Mas eu penso que vai depender muito do rendimento dos jogadores quando estiverem próximos de uma Copa do Mundo. Eu falo para os mais [experientes], que é sobre quem se discute isso. Não deve ter um limitador. Já tivemos exemplos de grandes jogadores que fizeram grandes Copas do Mundo numa idade considerada fora do padrão. Mas a média, a realidade, a situação normal, é que seja um pouco mais abaixo do que foi na [Copa] passada.
A seleção de Dunga era fechada sobre o ponto de vista de informação. Como vai ser a sua seleção?
A seleção brasileira é um dos assuntos que mais interessam ao povo brasileiro. A grande maioria das informações você pode tranquilamente torná-las públicas. E trabalhar como se trabalha no clube. Existem outras pequenas informações, num número muito menor, que você guarda. Porque é assim o jogo. Não sou técnico de fechar ou podar este ou aquele. Temos que ser responsáveis, porque cada um vai ocupar uma parte importante da seleção, que é nossa como um todo. Mas eu gosto muito de compartilhar essa responsabilidade. Da mesma maneira como o jogador vai ser extremamente importante e a responsabilidade dele vai ser cobrada na hora do jogo, eu tenho que confiar nele durante a semana, durante o mês, durante o ano. Não posso deixar para confiar nele só na hora do jogo, ligar um botãozinho e agora ele é importante. Tudo o que ele pode decidir é importante e depois ele não pode decidir sobre uma entrevista ou não? Não penso assim. É que se estabelece uma relação muito clara nesse aspecto, cada um tem suas funções suas responsabilidades e seus compromissos, com o que pode falar e o que não pode falar. Jogador hoje está bem consciente, ele sabe o que prejudica, o que não prejudica. Têm determinadas questões que se guarda mais, questões internas, da equipe, da seleção, e outras todas são pessoais. E eu não sou de limitar.
É a segunda Copa em que o diagnóstico é que tudo foi errado. Parece que nada foi feito direito. Você já tem um diagnóstico do que deu certo e o que deu errado? O que se aproveita?
Embora de maneiras diferentes na condução do trabalho, as duas últimas seleções tiveram trajetórias muito parecidas. Nós vencemos quase tudo até chegar à Copa. E não fizemos uma grande Copa. Falo de maneiras diferentes de condução porque a outra se falou que foi tudo muito aberto, que não nos preparamos adequadamente e por isso não chegamos bem. E nessa falamos exatamente o contrário, tudo muito fechado, aquela coisa toda, e isso atrapalhou. O que prova que talvez não seja nem por uma situação nem por outra. Não chegamos, não conseguimos chegar bem às duas Copas. E este é o momento mais importante. É isso que temos que prestar atenção, procurar as causas. Por que não chegamos tão bem? Porque nossos principais jogadores não chegaram tão bem ao momento mais importante. Isso provavelmente tem relação com suas temporadas europeias. Talvez tenhamos que cuidar individualmente de nossos jogadores, nos seus clubes. Mais do que fazemos hoje. Porque temos informações que em termos de recuperação, os nossos jogadores estão tendo dificuldade na Europa, porque o trabalho é diferente, porque as concepções são diferentes de recuperação de um jogador, muitos deles têm vindo fazer isso no Brasil...
Pretende mandar mais profissionais à Europa para isso?
É difícil trazer os jogadores para cá porque há uma desconfiança muito grande dos clubes. Muitos são questionados sobre falta de profissionalismo se querem simplesmente voltar para o Brasil e não ficar lá na Europa em determinados momentos. Isso cria uma dificuldade. Eles têm contratos com os clubes e precisam estar lá, é de lei. Então talvez tenhamos que fazer o inverso. Já acontece isso em alguns casos. Os principais jogadores, os que têm condições financeiras melhores, por contratos melhores, têm optado por isso. E agora, na conversa que tivemos, discutimos internamente sobre o fato de nós, como confederação, termos essa visão. Muitos deles encontraram dificuldades e há pouco tempo você citou o Kaká, e o Kaká foi um deles.
Então houve problemas estruturais mais do que no campo?
Claro, claro. Isso é assim. Esses jogadores, a grande maioria, fez parte dessa sequência muito boa que a seleção teve. Se a gente olhar para trás, na outra Copa do Mundo, também. Ganhamos Copa das Confederações, um ano antes, e a outra também ganhamos bem, na Alemanha. Ganhamos jogando um futebol muito bom aliás, até comparativamente melhor do que esta, na minha opinião. E eram praticamente os mesmos jogadores. E, nesse um ano, as coisas aconteceram, nós temos que investigar bem, procurar aquilo que foi aleatório, porque pode acontecer uma situação aleatória, mas tem coisas que são padrão. E tem que atacar aquilo que se repetiu, aquilo que é comportamento padrão.
Quer mais amistosos no Brasil?
É uma ideia da confederação e bate com aquilo que nós precisamos fazer em termos de identidade maior. E com proximidade você criar essa situação. Eu sei que a maioria dos jogadores joga na Europa e passa a ser, não só pela parte financeira, porque a confederação recebe bons valores pela presença da seleção, mas também por facilidade de deslocamento, tempo menor, exigência de logística mais adequada para fazer jogos lá. Mas eu acho que a gente precisa, mesmo assim, em determinadas situações, com um tempo bem maior, e vai ser possível, pela falta de necessidade de disputar a eliminatória, você poder contar com sete dias, oito dias as vezes, para você realizar um jogo só [no Brasil].
Você pretende transformar duas datas das eliminatórias em amistosos
Isso. E fazer um bom período de treinamento e adaptação de fuso horário. Acho importante essas coisas.
Você pretende ter influência na escolha dos adversários?
Nesse primeiro momento, tenho compromissos assumidos. E, na temporada europeia, nas eliminatórias, vai acontecer de uma das seleções que fica sobrando, e sempre uma vai sobrar. Essa geralmente vai ser a preferência do amistoso pelo nível técnico. Porque é importante, já que não vamos jogar a eliminatória, estabelecer um grau de exigência maior, de jogos mais duros, exatamente para compensar a falta da eliminatória.
Sua chegada e o esquema que é seu preferido [4-2-3-1] sinaliza um time mais ofensivo com a volta ao estilo brasileiro. Até que ponto o pragmatismo de resultados para se manter até 2014 não vai interferir nesse projeto de mudar o estilo?
Não tenho ilusões quanto a isso. Considero o resultado e as vitórias, consequentemente, partes importantes do trabalho de afirmação de um trabalho. Objetivamente, não vamos poder ficar perdendo para todo mundo e achar que as coisas estão bem e que tudo não vai mudar porque o plano e a ideia são bons. A ideia só vai se afirmar como boa se mostrar evoluções durante o processo. A primeira parte é importante para você sedimentar, apoia bem, mas apenas no limite do trabalho. Não pode estar enganado.
Você já tem um time titular na cabeça?
Ainda não. Vamos ter dois treinamentos. Vamos ter 17 ou 19 jogadores no primeiro treinamento [nos EUA]. Com base nisso, vamos escalar.
Já tem um capitão?
Ainda não.
Você tem uma ideia de como quer que seu time jogue? O time do Dunga ficou caracterizado pelo contra-ataque contra times fortes. O que você pensa?
A grande maioria das seleções jogou em contra-ataque na Copa do Mundo. Até a Alemanha, que eu gostei muito, jogou no contra-ataque. A exceção foi a Espanha, que era a equipe que trabalhava a posse de bola no campo do adversário o tempo inteiro. E que, quando perdia a bola, fazia marcação pressão para fazer a retomada dentro do campo da [outra] seleção. A gente não consegue isso porque quer. Não basta boa intenção. A Espanha chegou a esse ponto depois de muito tempo, com uma base mantida por muito tempo. Com a confirmação da Euro [título de 2008] que deu uma sustentação para essa ideia para dizer: é possível. Também trouxe a base de uma grande equipe sua que era o Barcelona. Nós ainda não temos a base de uma equipe brasileira solidificada assim. Tivemos os primeiros passos do Santos que infelizmente já vai começar a se desmanchar. Mas que ganhou o Estadual e agora a Copa do Brasil. Precisamos ter mais sustentação para dizer: podemos jogar assim e isso vai nos colocar mais próximo da derrota.
É o jeito mais seguro de jogar? A Espanha pareceu muito segura...
Não. O jeito mais seguro é no contra-ataque. Você arrisca pouco, sua equipe compõe rápido e espera o adversário errar e sai para fazer contra-ataque. Por isso, que todo mundo joga assim. Porque se busca segurança
Mas, quando se tem um domínio tal de posse de bola, 60% como a Espanha, você acaba dando muito pouca chance ao adversário.
Mas aí que eu falo: se tornou mais confiável e seguro porque chegou a um ponto muito alto, muito bom. O futebol brasileiro pode chegar a esse ponto.
Em quatro anos? Quanto tempo leva?
É uma questão de você achar os jogadores certos. E essa ideia ir se encorpando.
O Dunga levou à Copa dez jogadores de sua primeira convocação. Quantos você acha que vão estar lá na frente?
Chegaram dez porque, sinceramente e honestamente, os resultados foram sendo bons. Confirma aquilo da ideia que tem o técnico. Porque lembra que todas as competições de que eles participaram nós ganhamos. E foi formando e mantendo.
Você já se imagina disputando uma final em 2014?
Não. Ainda tem muita coisa pela frente. São quase quatro anos. É muito cedo ainda.
Você conhece bem a história da Copa de 1950?
Conheço. Na verdade, a história de 1950 é contada com muitas versões. Até hoje, a que eu mais ouvi é que a nós perdemos para ninguém, para nós mesmos. Que é uma mania nossa. Como se nunca tivesse ninguém do lado de lá. E já ouvi muita gente dizendo que a seleção uruguaia era uma grande seleção. Você não perde para ninguém em uma final de Copa do Mundo. Você perde um jogo em que você pressiona, pressiona, pressiona e toma um gol. Às vezes perde um jogo como a Espanha perdeu por um gol para a Suíça. Ou como a Alemanha perdeu. Mas, quando você toma uma virada, depois de ter vantagem, as questões são certamente um pouco diferente.
Volta à questão de que o brasileiro não perde para ninguém e então atribui a questões extracampo?
Sim, sim.
Você já está cheio de reuniões e viagens e com vontade de pegar o apito e voltar ao campo?
Não. Ainda está boa a falta do campo. Mas eu sei que vai fazer falta. Vou trabalhar bastante na hora que tiver oportunidade de treinar a equipe, que é a melhor parte. É relativamente a parte mais fácil para o técnico.
Você está ansioso?
É diferente, porque você tem um tempo muito maior para pensar e planejar um jogo especificamente. Quando você for se reunir, já está bem planejadinho. O futebol do dia a dia cria fatos mais aleatórios, mais subjetivos. Muitas coisas que mudam de um jogo para outro, de um treino para outro. A primeira impressão é que se pode planejar mais.
Nesta rotina de reuniões, qual a primeira impressão que teve sobre o Ricardo Teixeira?
Não o conhecia pessoalmente. Só tínhamos nos cumprimentado. Minha impressão foi boa. Trata as questões bem objetivas. É assim que precisa ser. Dá respaldo para que quem precisa fazer o trabalho o faça. É a primeira impressão. É assim que tive contato com os dirigentes. Nunca tive situação que não fosse essa nos dois clubes que fiz trabalhos longos. Gosto das coisas claras e deixo as coisas muito claras. Então, não vamos ter problemas quanto a isso. Com relação à confederação, fiz uma visita à Granja Comary e queria saber como as coisas estavam lá. Estamos um pouquinho defasados nos aspectos estruturais, o que já era de conhecimento da confederação.
Por exemplo, fisioterapia, aparelhos?
Campos, aparelhos, dependências onde os jogadores ficam. É natural que isso aconteça porque tem 23 anos de existência. As coisas ficam velhas hoje muito rápidos.
Você já fez sugestões?
Vamos estudar. Estamos esperando que o presidente defina o seu diretor de seleções, que será o nosso diretor. Existe uma intenção de trazer a Granja para o futebol. Hoje, funciona como granja, e o futebol utiliza. Nós temos que inverter um pouco isso.
Como se dá isso na prática? Levando mais times de base?
Os times de base estão treinando lá. A feminina estava lá quando eu estava. Mas falo da seleção principal. Às vezes até pela impossibilidade de usá-la tanto ela fica um pouco defasada e obsoleta. Tem que ter a visão de acomodações quase que de um hotel porque se está trazendo jogadores que estão acostumados a esse nível de dependência. Então, para colocarmos os jogadores na Granja, tem que ter esse nível de dependência para oferecer. Para que tenha condições de fazer um trabalho benfeito. E uma pessoa que esteja ligada ao futebol [que tem de fazer a reestruturação]. Porque são as pessoas do futebol que estão viajando pelo mundo e vendo como as coisas funcionam em termos de dependências. É o que vamos fazer.
Em relação a esse respaldo que o presidente da CBF deu, preocupa de alguma forma o fato de termos terminado as duas Copas e os técnicos ficaram como vilões, leitura feita até pelo próprio presidente, que atribuiu muitos dos erros aos técnicos nesses dois períodos? Preocupa você ser o próximo? E, segundo o seu diagnóstico, os erros não se limitaram a convocações e ao campo?
Não é só o meu diagnóstico. Existe dentro da confederação. Precisamos cuidar um pouco com o que é exteriorizado e aquilo que se pensa mesmo, não é? Essa situação só comprova a necessidade de reestruturação, que é uma consciência geral. É inadmissível que se trabalhe durante quatro anos e se descubra depois de quatro anos que alguém não era a pessoa, ou que teve mais culpa ou que as coisas não andaram como deveriam andar. Nós precisamos descobrir isso mais rápido. E só vamos descobrir isso mais rápido se o trabalho está bem encaminhado ou não, interligando de maneira mais eficaz essa relação que se tem. Por isso que se fala em coordenador. Coordenador não é só para ter o cargo. Coordenador é uma pessoa que saiba o que está sendo feito aqui. Em termos presidenciais, saber o que é a ideia. Essas coisas têm que ser discutidas constantemente. Não podemos descobrir que as coisas não funcionaram daqui a quatro anos em 2014.
Mas incomoda isso de o técnico ficar como culpado?
Me incomoda porque sabemos que não é o correto. Mas também faz parte da nossa cultura. Primeiro, de achar um culpado. Tem que ser alguém que ajeitou a meia [Roberto Carlos]. Tem que ter alguém que levantou o pé demais e foi expulso [Felipe Mello]. Do técnico que fechou demais [Dunga] ou abriu demais [a seleção]. Então, acho que cabe a quem forma a opinião se questionar. De novo, vamos ter uma situação parecida com essa? Será que não temos que olhar pela questão mais ampla de reestruturação de aspectos importantes? Nós somos a seleção mais importante do mundo. E muitas vezes os outros olham para nós e não sabem como conseguimos fazer tantas coisas sem fazer o que precisa ser feito.
Nas conversas, teve algum pedido da CBF em relação à sua postura, com imprensa, empresários?
Não. Não tive nenhuma questão.
Houve algum pedido seu [à CBF]?
Discute-se questões de maneira interna que não serão abordadas publicamente nem pela confederação nem por mim. Mas nós vamos estabelecer uma linha de trabalho. Você sabe o que é a ideia inicial do trabalho. A ideia inicial era que haveria renovação. Mas que jamais foi dito que teria de ser de 23, de 18, de 19, de 15. Jamais foi excluído o nome deste ou daquele jogador. Você sabe o processo geral. Tem que ter liberdade geral para conduzir o trabalho da forma como tem que conduzir. O que é importante é que até bem pouco tempo, e esse talvez seja o maior erro, a gente convidava um técnico para a seleção sub-20, e ele fazia o trabalho como achava que devia fazer. Convocava o técnico da principal, e ele fazia o trabalho como acha que devia fazer. Convocava o da sub-17, e ele fazia o trabalho como acha que devia fazer. Essa dissonância que há na forma como cada um enxerga a condução do trabalho é muito maléfica para tudo isso que fazemos. Nós queremos correlacionar isso. Queremos estabelecer uma linha, uma metodologia, que vai nortear o trabalho com uma sequência maior. Na seleção principal, nós vamos ter que ter jogadores que provavelmente passaram pela sub-20, pela sub-17. Por quê? Porque, se na sub-17 nós já tivemos a oportunidade de escolher os melhores do país, e o fizemos de forma correta, adequada, competente, a tendência é que tenhamos um número maior aqui [na principal]. Essa é a ideia de trabalho.
Você pode participar da escolha desses técnicos?
Não acho que como técnico tenha que escolher técnico. Mas de estabelecer a filosofia, a forma como será conduzida, acho que o técnico da seleção principal é parte importante nesse projeto. Penso que isso [a escolha dos técnicos] deve ser feito pelos coordenador e diretor da seleção.
Você acompanha o andamento da organização da Copa-2014? Estádios, aeroportos?
Superficialmente, como vocês noticiam. Não é o papel do técnico, já tenho trabalho bastante.
Você teme o uso político da seleção? Por que estará em um momento delicado, com a Copa no Brasil, eleições? Foi algo apontado em 1950...
Vivemos período completamente diferente de 1950. Li relatos de jogadores que fizeram parte daquela reta final da Copa. Não tenho esse temor. O jogador está bastante esclarecido para saber quando é utilizado. Não senti na confederação nenhuma intenção de fazer isso.
Você falou com o Dunga?
Ainda não.


