Representantes de Israel e do movimento islamita Hamas, que oficialmente não têm relações, se reuniram em segredo na semana passada ao norte de Tel Aviv, diz a edição deste sábado do jornal em árabe Al-Asharq Al-Awsat, editado em Londres.

O interlocutor do Hamas teria saído do povoado de Bet Iba, no norte do território ocupado da Cisjordânia, e seguido clandestinamente para a cidade de Netânia, afirma o diário com base em "fontes palestinas".

O representante do Hamas foi Omar Abed al-Razak, ex-ministro do Tesouro em 2006 e 2007, quando o dirigente desse movimento palestino Ismail Haniyeh liderava o Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O diário não diz quem compareceu à reunião pelo lado israelense, mas diz que o objetivo do encontro secreto era advertir a liderança do Hamas sobre as duras consequências de um eventual sequestro de colonos judeus na Cisjordânia.

Daniel Dayan, presidente do conselho de assentamentos Yesha, confirmou ontem à agência EFE que o Exército israelense pediu aos colonos judeus na Cisjordânia para que redobre as precauções diante de possíveis sequestros por parte de milicianos do Hamas.

Abed al-Razak diz que as informações sobre o suposto encontro em Netânia são "falsas e sem fundamentos algum".

"Os representantes do Hamas na Cisjordânia não podem se movimentar com liberdade e raramente temos permissão de entrar nos territórios de 48 (Israel). De qualquer forma, rejeitamos nos reunir com israelenses, inclusive com seus jornalistas", ressaltou.

O aviso aos colonos foi feito há pouco mais de uma semana em carta segundo a qual o comando militar tem informações de que os líderes do Hamas em Damasco estão pressionando seus seguidores na Cisjordânia a sequestrar colonos, de acordo com o diário israelense Ha'aretz.

Os sequestros seriam uma forma de obter um novo trunfo nas negociações para a libertação de parte dos quase sete mil presos palestinos.

O soldado israelense Gilad Shalit está retido na Faixa de Gaza desde junho de 2006, quando foi capturado por militantes palestinos.