A Justiça americana determinou nesta quinta-feira (5) que um casal que deu a seus três filhos nomes inspirados no nazismo não deve recuperar a custódia das crianças, informou a rede NBC News. Uma delas foi batizada de Adolf Hitler.

O site AOL News informou, no entanto, que o que motivou a decisão judicial não foram os nomes dados às crianças, mas o histórico de violência doméstica dos pais contra os filhos. O casal Heath e Deborah Campbell nega essa alegação.

Segundo a NBC, as crianças foram retiradas de casa em janeiro de 2009, depois que os pais pediram a uma confeitaria da localidade de Holland Township, Estado de Nova Jersey, que colocasse o nome de Adolf Hitler no bolo de aniversário do filho. Após a recusa da confeitaria, o pedido foi posteriormente atendido por um supermercado da rede Wal-Mart, informou a NBC.

Desde então, Adolf Hitler Campbell, de quatro anos, vive em um orfanato junto com as irmãs Joyce Lynn Arian Nation Campbell, de três anos, e Honslynn Hinler Jeanie Campbell, de dois anos.

Os nomes das meninas fazem referência, respectivamente, à “nação ariana” (de supremacia e com a “pureza” da raça branca) defendida por Hitler e a Heinrich Himmler (1900-1945), chefe da polícia alemã SS durante a Alemanha nazista.

Himmler foi uma das pessoas que lideraram e organizaram, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Holocausto - que resultou na morte de mais de 6 milhões de judeus em campos de concentração na Europa.

Policial diz que pai não era violento

Ao negar a custódia aos pais, a Corte de Apelações de Nova Jersey entendeu haver evidências suficientes de negligência ou violência doméstica. Segundo o AOL News, a decisão judicial afirma que os Campbells “não receberam tratamento adequado para sua grave condição psicológica” e representam uma ameaça a seus filhos.

O site informou que, no centro do caso, está um bilhete que Deborah escreveu a um vizinho dizendo acreditar que seu marido poderia matá-la.

Anteriormente, autoridades já haviam dito que o fato de as crianças terem sido retiradas de casa não tinha nada a ver com seus nomes. E, segundo várias fontes, isso não está nem citado no processo.

Mas o caso gera polêmica na própria localidade onde vivia a família. A NBC cita o sargento John Harris, da polícia de Holland Township, que afirmou desconhecer que os pais abusavam dos filhos. Foi Harris quem levou as crianças embora de casa, a pedido da Justiça, em 2009.

- Eu conheço o senhor Campbell pelos últimos dez anos e nunca soube que ele tenha abusado dos seus filhos.

A mãe disse, na ocasião, acreditar que os nomes das crianças tenham sido o problema que levou a Justiça a retirá-las de sua guarda.