Um tesouro arqueológico de cerca de 3.000 anos e destruído por um bombardeio foi resgatado das ruínas graças aos nove anos de trabalho de uma equipe do museu de Pérgamo, na Alemanha, que reconstruiu cerca de 60 estátuas e baixos-relevos recuperados entre os escombros da 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945) e que permaneceram esquecidos durante décadas na ex-República Democrática Alemã.

Lutz Martin, arqueólogo responsável pelo projeto, explicou o trabalho.

- Reconstituímos mais de 90% das peças provenientes do museu de Tell Halaf. Dos 27.000 fragmentos, nos restam apenas 2.000.

O trabalho foi realizado por uma pequena equipe de arqueólogos, cientistas e restauradores financiados pela família de Max von Oppenheim, o filho de banqueiros e arqueólogos que descobriu o tesouro no norte da Síria, perto da fronteira turca, antes da 1ª Guerra Mundial (1914 a 1918).

Depois de duas campanhas de escavações em Tell Halaf, sítio arqueológico no norte da Síria ( de 1911 a1913 e de 1927 a 1929), Oppenheim levou grande parte do tesouro para a Alemanha, onde expôs em seu próprio museu.

O prédio foi destruído durante um bombardeio em novembro de 1943, acabando assim com todas as peças em madeira e alabastro, pedra maciça e translúcida. Somente se conservaram as peças em pedra, apesar de ficarem separadas em milhares de pedaços.

A reconstituição desse quebra-cabeça gigante em três dimensões acabou se revelando uma tarefa desafiadora.

- No início, pensávamos em reconstruir apenas uma ou duas das principais figuras, como os leões que guardavam a entrada do palácio aramaico.
Stefan Geismeier, responsável pelo trabalho de restauração, disse que não foi possível supor o resultado.

- Não sabíamos o que poderíamos conseguir porque ignorávamos a quantidade de material recuperado do museu destruído.

Martin disse que alguns pedaços eram tão pequenos quanto uma unha, enquanto que outros pesavam 1,5 tonelada

Depois de tentar reconstruir inicialmente a parte externa dos objetos, para depois preenchê-los com concreto, a equipe foi se convencendo da possibilidade real de reconstruí-los por completo.

Geismeier explicou que, para determinar se os fragmentos eram interiores ou exteriores, a equipe analisou sua composição mineral, suas propriedades e suas cores.

- Depois, cada objeto tinha de ser reconstruído numa única operação para assegurar que os fragmentos de juntavam corretamente.

Os objetos restaurados farão parte de uma exposição especial em Berlim a partir de janeiro. Eventualmente, algumas estátuas serão incorporadas a um local coberto que será construído na entrada do departamento do Oriente Médio do Museu de Pérgamo.