A ex-primeira dama de Alagoas e do Brasil, Rosane Malta, concedeu uma entrevista ao portal Terra Magazine, onde revelou que o motivo principal da desistência de sua candidatura à Câmara Federal – pelo PV - é seu ex-marido: Fernando Collor de Mello (PTB). Ao que tudo indica, ela trava uma verdadeira batalha na Justiça contra o candidato ao Governo do Estado.
“Fui filiada ao Partido Verde, teve o convite para que fosse candidata, mas resolvi não sair porque dei outra prioridade, que é minha causa na Justiça. Como estou num processo muito forte com meu ex-marido, as pessoas poderiam achar que eu estaria fazendo isso porque ele é candidato ao governo do Estado”, declarou Malta.
De acordo com a publicação, ela tem esperança de que agora, com domicílio fixo – por causa da Eleição – a Justiça obrigue ele a pagar a sua pensão: “ela está dois anos atrasadas”, alertou a ex-primeira dama.
-- Confira a entrevista completa:
Terra Magazine - Por que a senhora não será mais candidata?
Rosane Malta - Eu realmente resolvi não ser candidata. Fui filiada ao Partido Verde, teve o convite para que fosse candidata a deputada federal, mas resolvi não sair porque dei uma outra prioridade, que é minha causa na Justiça. Como estou num processo muito forte com meu ex-marido, as pessoas poderiam achar que eu estaria fazendo isso porque ele é candidato ao governo do Estado, quando não é verdade, né? Foi um convite, não foi nada proposital. O Partido Verde viu que meu nome tinha uma boa aceitação e, como eu venho de uma família política e tenho um trabalho - fui presidente da LBA (Legião Brasileira de Assistência) - aí eles me convidaram. Mas resolvi dar prioridade à minha causa na Justiça, que é uma luta muito grande.
Inclusive agora, no mês de agosto, tenho audiência novamente. Então preferi colocar minha força, toda minha energia para essa causa, para tentar resolver. Quem sabe no futuro, já livre desse processo, eu possa fazer uma carreira política. Neste momento, este sonho ficou um pouquinho guardado.
Como é este processo judicial?
É ainda a luta na Justiça pela divisão dos bens, que até hoje a gente não conseguiu acertar. Ao invés de termos uma separação amigável, estamos tendo uma separação litigiosa.
A senhora sofreu alguma pressão para não se candidatar?
Não, não...
Da família?
Não, a minha família até que me apoia, ela me apoia em tudo o que faço. Mas, como realmente minha briga é muito grande na Justiça... Todo mundo sabe como nossa Justiça é, infelizmente, né?
Se a senhora tiver que esperar por ela, então, é capaz de não começar nunca a carreira política.
Não, eu vou, com certeza, agora eu vou. Contratei um escritório de fora (do Estado), o Paulo Marcondes Brincas, de Santa Catarina, e já tivemos uma vitória. Aqui os advogados realmente têm medo de enfrentá-lo. Por isso contratei este escritório de fora. Para que eu possa ter esse dado positivo e que os desembargadores possam analisar meu processo e façam justiça.
Em Alagoas, o ex-presidente Collor chegou a emitir alguma opinião sobre sua candidatura?
Não, eu acredito que não. Eu não vi nenhum comentário, se ele falou da minha candidatura. Eu acredito que não. Agora, eu não sei. Eu sei que ele está sendo candidato a governador do Estado.
E como a senhora avalia esta aliança dele com o presidente Lula?
Acredito que não só eu, o Brasil inteiro vê interesse, né? Infelizmente. Hoje as pessoas não têm mais o amor pelo que fazem. Virou realmente interesse. De ambas as partes. Acho que o interesse do Lula é ter o apoio dele (Collor) porque tem a sua candidata, que é a Dilma Rousseff. E o Fernando, por estar aliado ao Lula, porque precisou dele. Acho que aí houve troca de interesse, idealismo não existe. Pensamentos totalmente diferentes, os dois são opostos. Mas hoje, na política, a gente vê absolutamente tudo. Estão somando, um é bom em um lado, o outro é bom em outro, se juntaram aí para fazer essa candidatura do Fernando. É interesse puro, de ambas as partes.
Sua candidatura pelo PV seria de que coligação?
Seria ligada ao partido do (candidtao a governador do PDT) Ronaldo Lessa.
Sua ideia é se candidatar daqui a quatro anos? Não antes disso?
Pode ser que seja nas próximas eleições. A de prefeito, vereador. Pode ser que isso possa acontecer, não sei. O meu desejo hoje é o mais importante para mim. Fui casada 22 anos, e, todo mundo sabe, passei bons momentos, mas maus momentos também. Não acho justo ficar casada com uma pessoa 22 anos - era muito nova quando casei - e sair deste casamento sem absolutamente nada. Acho que tenho que ter aquilo que me é de direito como esposa que fui. Ele está me privando disso. Está me privando de tudo. Infelizmente a Justiça até hoje... Os advogados que passaram (pelo caso) não tiveram coragem. Já trocou de juiz, acho que já teve mais de seis juízes na minha causa. Todos pedem afastamento, não têm coragem de enfrentá-lo porque ele é realmente muito forte. A justiça de Deus, eu sei que virá. Que a justiça da Terra seja feita aqui e que eu tenha a receber inclusive pensão alimentícia, que está atrasada.
Está atrasada há quanto tempo?
Há mais de dois anos. Ele não pagou meus atrasados. E é uma coisa impressionante porque qualquer pessoa, neste País, vai pra cadeia se não pagar pensão. Ele é um caso raro.
Ele pagou quantas vezes a pensão?
Ele está atrasado, eu recebi uma quantia, a juíza aumentou, e ele não pagou. Está há mais de dois anos devendo. Já entrei várias vezes (com ação), mas nunca consigo localizá-lo. É incrível, né? Vamos ver se agora, todo mundo sabendo o paradeiro dele, porque está em Maceió, fazendo campanha, a juíza determina que o oficial de Justiça vá e consiga entregar o pedido para que ele possa pagar. Então estou mais na luta da Justiça e deixei mais o meu sonho, a minha vontade de ser candidata, para uma próxima eleição.
