Uma francesa de 47 anos confessou ter sufocado oito de seus filhos recém-nascidos, cujos corpos foram encontrados esta semana em um vilarejo no norte do país. Os crimes teriam ocorrido entre 1989 e 2006. As informações foram divulgadas, nesta quinta-feira, pelo promotor público local.

Dominique Cottrez e seu marido foram detidos na última terça-feira. A prisão ocorreu depois que os corpos dos bebês foram encontrados, envoltos em sacos plásticos, em duas casas no povoado de Villers-au-Tertre, 200 quilômetros ao norte de Paris.

Detida, a auxiliar de enfermagem Dominique Cottrez confessou ter matado dois filhos logo após o parto. Em seguida, admitiu o assassinato de outros seis.

O promotor Eric Vaillant disse que foi aberto um inquérito formal por "homicídio de menores de 15 anos", uma etapa preliminar à apresentação de acusação criminal contra Cottrez. "A mãe sabia que estava grávida. Ela não queria mais filhos e não queria o envolvimento de médicos", afirmou Vaillant.

Segundo o promotor, a mulher disse em depoimento que escondeu de seu marido as gestações e, consequentemente, a sua decisão de matar os bebês. O excesso de peso da auxiliar de enfermagem teria ajudado a dissimular sua gravidez. Segundo a imprensa local, ela pesa cerca de 130 quilos.

Família – O marido de Cottrez, que é vereador da câmara municipal do vilarejo, foi liberado pela polícia. Mas, apesar da versão da mulher que o isentava da culpa, o promotor pediu a abertura de uma investigação judicial contra ele. As suspeitas são de ocultação de cadáveres e omissão de informações à polícia. "Este é um caso fora do comum, em vista do número de recém-nascidos", disse Vaillant. "Estamos tentando entender o que aconteceu."

Cottrez está sendo submetida a avaliações psicológicas para avaliar sua responsabilidade criminal.

Reações - Vizinhos do vilarejo disseram que o casal, que tem duas filhas com cerca de 20 anos, nunca agiu de maneira suspeita. "Eles estavam sempre sorridentes, sempre simpáticos", disse a proprietária de uma casa que já pertenceu ao casal e onde alguns dos corpos foram encontrados.

Especialistas que já estudaram casos semelhantes afirmam que muitas vezes as mulheres passam por um processo de "negação da gravidez". Ou seja, elas se recusam a aceitar que estão grávidas, o que pode levar ao assassinato de seus filhos logo após o nascimento.