O portal Cada Minuto foi acionado com uma Representação Eleitoral da coligação "Frente Popular por Alagoas" (PT, PDT, PMDB, PT do B, PR, PRP, PSDC, PC do B) e de seu candidato ao governo do estado, Ronaldo Augusto Lessa Santos. A peça foi subscrita pelo escritório Brabo Magalhães — especificamente, pelo advogado Daniel Brabo.

Na ação, o advogado, em nome dos representantes, é claro, pedia uma decisão liminar ordenando a retirada da matéria “Advogado diz que, pelo entendimento atual do TSE, Ronaldo Lessa está inelegível” . Porém, na matéria (entrevista com o advogado Adriano Soares da Costa), que foi produzida pelo Blog do Professor Yuri Brandão e republicada em destaque no portal, o "bigode" (subtítulo) diz exatamente isto: "'Minha opinião é o contrário', afirma Adriano Soares".

Ou seja: tanto o blog quanto o Cada Minuto tiveram o cuidado de deixar claro o seguinte: a presidir a lógica que o TSE vem sustentando, a situação de Lessa será mesmo pela inelegibilidade — mas disso discorda o entrevistado, jurista Adriano Soares (aliás, também o professor Yuri discorda). Ademais, a entrevista trata de inúmeros outros pontos, dos quais a lei "Ficha Limpa" é apenas uma parte.

Naturalmente, o juiz Sebastião José Vasques não só indeferiu o pedido do jovem (a rigor, dos representantes), já “famoso” advogado, mas também deu sua opinião sobre o tema: “A matéria jornalística argüida não faz juízo de valor em momento algum. Pelo contrário...”.

A decisão do magistrado por si só bastaria, mas o fato de o tal advogado ter, em nome da coligação de Lessa e do próprio Lessa, entrado com a referida ação — até mesmo sem o conhecimento da assessoria de comunicação da "Frente Popular por Alagoas", conforme nos foi dito pessoalmente — revela algumas facetas da história.

O Cada Minuto poderia, por meio deste editorial, vestir-se com o manto da “Liberdade de Imprensa” (e não só dela), embora essa não seja a questão, já que tal liberdade é uma espécie de mandato social que se conquista com coragem, que se mantém com credibilidade e que se põe, com honestidade, a serviço da democracia.

Liberdade é um imenso desafio, pois só existe se, de fato, for exercida com responsabilidade, visão crítica, rigor, objetividade e, sobretudo (mas não somente), obstinação para tornar públicas as informações que o poder local preferiria ocultar.

O nobre e – repito – “famoso” advogado diz, em sua representação que foi imediatamente indeferida, que o título da matéria poderia “criar estados de espírito no eleitor mediano”.

Pois bem, caro advogado: é justamente o contrário disso que o Cada Minuto defende. O argumento fajuto de que o cidadão pode ser facilmente ludibriado por qualquer texto ou discurso pode servir para dar vida a uma casta de "iluminados" que decidirá pelo cidadão, pelo indivíduo, mas certamente não serve ao espírito democrático — este alimento, a muitos indigesto, que faz este veículo de comunicação crescer a cada dia.

Quando optamos pela independência, pela pluralidade de pensamentos, pela não exploração de corpos e de vítimas da violência que assola a periferia, resolvemos deveras ir de encontro a esse “senso comum”, indevidamente espalhado por aqueles que têm dinheiro para contratar "advogados" que vendem para seus clientes supostas amizades com magistrados etc.

O Cada Minuto, caros leitores, publicou 27 declarações do candidato Ronaldo Lessa nos últimos seis meses, isto é, mais da metade do que as dos outros candidatos juntos; publicamos também a nota do advogado Daniel Brabo, que desmente aquilo que tinha dito, sim!, na frente de dois jornalistas e um cinegrafista. A atitude do portal foi democrática sempre; e, antes mesmo desta nota, tínhamos publicado matéria com o referido advogado explicando o que achava da mesma lei ("Ficha Limpa").

O Cada Minuto, ó “famoso” advogado, poderia sim ter um candidato nas eleições, mas não o tem, e respeita que cada blog (espaço onde o autor expressa suas opiniões, críticas sobre qualquer tema etc.) os tenha!

Em nossos blogs — e isso é evidente —, temos editores com formação e ideologia bastante diversas, como Roberto Vilanova, Bernardino Souto Maior, Yuri Brandão, Adrualdo Catão, Mozart Luna, entre outros. Isso se chama pluralidade de ideias e opiniões, algo que até um “eleitor mediano” entende e entenderia, não obstante as teses antirrepublicanas e antidemocráticas de caríssimos advogados, ainda que em nome dos clientes.