O maior porto da América Latina em movimentação de carga, o de Santos, poderá começar a receber embarcações maiores a partir do próximo trimestre, conforme avançam as obras de dragagem do leito oceânico, informou a Secretaria Especial de Portos (SEP).

O subsecretário de planejamento e desenvolvimento portuário da SEP, Fabrizio Pierdomenico, afirmou à Reuters na noite de quarta-feira que a profundidade do porto de Santos passará de uma média de 12 m para 15 m, quando os trabalhos estiverem concluídos, no início do ano que vem. Mas à medida que a dragagem é realizada já surtirá efeitos para este ano, acrescentou ele.

A escavação do porto de Santos faz parte do Programa Nacional de Dragagem (PND), que está investindo R$ 1,5 bilhão para ampliar a profundidade de 16 portos do País, incluindo o de Paranaguá (PR), outro importante canal de escoamento de commodities do Brasil, especialmente as agrícolas.

"Hoje o maior navio de contêineres sem restrição para operar em Santos é de 5.500 TEUs (unidade de medida usada no setor, equivalente a um contêiner de 20 pés). Com a dragagem, o porto de Santos poderá receber navios de até 9.000 TEUs", disse Pierdomenico.

Além da movimentação de contêineres, Santos é o principal para a exportação de produtos agrícolas do Brasil, a maioria deles a granel. No ano passado, pouco menos da metade do volume total movimentado no porto foi de mercadorias agropecuárias, como açúcar, milho, soja em grãos, café, suco de laranja, soja peletizada, álcool e óleos vegetais.

A dragagem pode ajudar a aliviar problemas como os verificados atualmente, como as filas de navios para embarcar açúcar.

As obras de aumento da profundidade em Santos tem orçamento de R$ 200 milhões no PND, disse o subsecretário, que é coordenador da execução do programa.

"O programa permite que navios maiores possam frequentar a costa brasileira. Aumenta a capacidade dos portos brasileiros em até 30%", afirmou, acrescentando que "é muito mais produtivo operar um navio de 120 mil t que dois de 60 mil t. O frete por unidade em navios maiores é menor".

Agilidade
Também até o início de abril de 2011, o projeto de digitalização da burocracia do porto, chamado de Porto sem Papel, também já deverá estar funcionando completamente, o que deverá aumentar a velocidade de atracamento e desatracamento de embarcações em Santos em 25%, afirmou o subsecretário da SEP .

No Porto de Rio Grande (RS), onde as obras de dragagem serão concluídas na próxima semana, Pierdomenico afirmou que os operadores já estão informando melhoras.

Segundo ele, navios que antes tinham que estar "aliviados" para não encostarem no fundo do mar já estão conseguindo sair a plena capacidade.

"São navios de 63 mil t a 67 mil t (de capacidade de carga), que antes da dragagem só saiam com 55 mil t", disse o subsecretário, afirmando que no porto trabalha uma draga que antes estava ajudando a criar ilhas artificiais em Dubai, no Oriente Médio.

"Tem impacto em fila de caminhão, custos de transporte (...) Acaba agregando valor à carga, transforma custo em margem. No caso de contêiner, melhora competitividade do produto manufaturado", disse Pierdomenico.

Ele afirmou que a SEP tem atualmente 10 portos do País em obras de dragagem. Com isso, o parque de dragas que está instalada no Brasil trabalhando simultaneamente tem uma capacidade de 80 mil m³ de cisterna para receber o material imediatamente escavado. "Há dois anos, essa capacidade era de 20 mil m³", completou.

No próximo mês, vai começar a operar no porto de Itaguaí (RJ) a maior draga do País, com capacidade de 24 mil m³ de cisterna. "Só a capacidade dessa draga é maior que a somatória de dragas que o Brasil tinha dois anos atrás", disse Pierdomenico.