A pretensa frieza do processo democrático, nesta eleição, não é tão incomum quanto parece. Os tão conhecidos comícios, carros de som circulando pelas ruas e propagandas, invadindo espaços de rádio e TVs, dão lugar a um silêncio enigmático: de incertezas conflitantes. Para entender um pouco mais deste fenômeno o Cada Minuto foi atrás de um cientista político que explique a origem deste caso.

Eduardo Magalhães afirmou que não tem nada de extraordinário neste processo eleitoral. Ele conta que desde quando a reeleição começou a ser usada no país, houve um esfriamento natural no pleito. “Com essa determinação, a administração é posta a prova: não mais o candidato”, pontua o pesquisador.

É como se os atos do Governo fossem postos ao julgamento popular. “Muda-se o foco. Não estamos mais discutindo qual candidato é melhor, ou menos preparado. O que está em jogo são ações governamentais. Mais precisamente aonde a gestão acertou ou errou”, declarou Magalhães.

Neste sentido, o papel do candidato oposicionista muda e deixa de atacar o rival: passando a mostrar onde ele errou, para que não seja digno de um segundo mandato. “Com isso, a eleição que já está fria não deve esquentar muito”, concluiu o estudioso.

Lei ‘Ficha Limpa’

Ainda de acordo com Eduardo Magalhães a aprovação da Lei Ficha Limpa e o seu uso, ainda neste pleito, pode ser considerada como uma vitória para a democracia brasileira.

“É algo extraordinário, um avanço”, qualificou. Ele conta que é um movimento no qual possibilita uma melhora na qualidade do cenário eleitoral como um todo.

“Na teoria, a Lei possui um caráter pedagógico. Para que tenhamos modelos de decência e dignidade”, comentou esperançoso o cientista. Isso porque nenhum dos partidos denunciou, ou pensaram neste critério na hora de indicar seus candidatos: apontando irregularidades.