Mais de 2,5 milhões de chilenos viviam na pobreza em 2009, 1,4% a mais com relação ao ano de 2006, o que representa o primeiro aumento dos níveis de pobreza desde a volta da democracia ao Chile, revelou nesta terça-feira (13) a pesquisa Casen, elaborada pelo governo.
O presidente Sebastián Piñera informou que 355.095 chilenos se somaram à população mais vulnerável do país durante os últimos quatro anos, uma medição que não inclui os efeitos do terremoto e posterior maremoto de 27 de fevereiro, que arrasaram o centro e o sul do país.
"Infelizmente, hoje tenho que partilhar com vocês uma notícia dolorosa: a pobreza no Chile, que vinha caindo sistematicamente desde que recuperamos a nossa democracia, no período entre os anos 2006 e 2009, aumentou pela primeira vez", assegurou o presidente.
Quanto à pobreza extrema, a pesquisa de 2006 registrava 516.000 indigentes, enquanto que em 2009, os nímeros chegaram a 634.000 indigentes.
No total, a população que vive abaixo da linha da pobreza no Chile chega a 2.564.000 pessoas, apesar de que, segundo o presidente, o gasto social do governo aumentou 35% nos últimos anos.
Crise mundial e alta dos alimentos
O diretor da Fundação para a Superação da Pobreza, Leonardo Moreno, explicou que a crise financeira internacional, acompanhada da alta nos preços dos alimentos, foram as principais causas do aumento da pobreza.
Para Moreno, "estes resultados demonstram que no Chile tínhamos nos acostumado a pensar que a redução da pobreza era inercial e não nos demos conta de que se não redobrarmos os esforços, os números vão continuar subindo".
Na consulta de 2006, a linha de indigência foi delimitada em 23.500 pesos (US$ 44) mensais por pessoa e a linha da pobreza, a 47.000 pesos ou US$ 88.
Segundo Moreno, "as cifras de pobreza medidas pela renda não são suficientes, já que, por exemplo, com o terremoto, muitos perderam patrimônio, meios de produção para subsistir e isto se reflete na renda".
Neste sentido, na Fundação para a Superação da Pobreza estão "certos" de que "quando a (pesquisa) Casen atualizada for entregue com os dados das zonas afetadas pelo terremoto, os números aumentarão".
Em 1990, quando o Chile voltou à democracia, o percentual de chilenos que vivia em condições de pobreza era de 38,9%, enquanto que em 2006, após quatro governos de centro-esquerda, a proporção caiu para 13,7% da população.