Ex-auxiliar técnico da seleção brasileira e parceiro de Dunga no comando da equipe que acabou eliminada nas quartas de final da Copa do Mundo com a derrota de virada por 2 a 1 para a Holanda, o ex-lateral direito Jorginho ainda não digeriu a perda do Mundial e rebateu as declarações recentes de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Em entrevista , Jorginho afirmou que ele e Dunga tinham o respaldo do mandatário da CBF para manter o grupo sem renovação na idade dos jogadores. O ex-funcionário de Teixeira diz ainda ter dificuldades para dormir com a lembrança da derrota.

“Ainda acordo de madrugada, com as lembranças martelando a minha cabeça. Ver meus filhos chorando quando voltei. Estou triste para c... É como se tivéssemos perdido alguém da família. A gente viu o prazer deles em vestir a camisa da seleção. Em nenhum momento, o presidente Ricardo Teixeira pediu renovação de idade. Pediu comprometimento”, afirmou Jorginho.

O ex-jogador que foi campeão mundial na Copa de 1994 nos Estados Unidos afirmou que Dunga não foi pressionado por Ricardo Teixeira nem sequer nos momentos mais críticos da seleção brasileira e revelou que já estava definido pelo dirigente máximo da CBF que o acesso da imprensa aos jogadores seria restrito.

“Ele deu total liberdade para o Dunga, mesmo nos momentos mais difíceis, quando perdemos do Paraguai, empatamos com a Argentina ou perdemos a Olimpíada. O Ricardo Teixeira já havia dito que essa seria uma das Copas mais fechadas dos últimos tempos. Não podíamos dispor os jogadores para dar entrevistas toda hora. Eu nunca briguei com a imprensa. Só coloquei o que estava no meu coração. Disseram que eu tinha ascendência sobre o Dunga. Isso ofende a ele e a mim. O Dunga é democrático, mas é o líder”, disse o ex-auxiliar técnico.

A justificativa para a ausência de nomes como Ronaldinho Gaúcho e Paulo Henrique Ganso na seleção também foi dada por Jorginho, que apontou falta da resposta desejada pelo campeão em 2002 e minimizou o desempenho do mais jovem no Campeonato Paulista.

“Uma coisa é o Ronaldinho de 2002, outra é o de 2010. Em 2006 e nas vezes em que nós o convocamos, ele não deu a resposta que eu e você queríamos. Quanto ao Ganso, uma coisa é o Campeonato Paulista, outra é a Copa”, completou Jorginho.