O governo japonês de coalizão de centro-esquerda perdeu, neste domingo (11), a maioria que tinha na Câmara Alta nas eleições para o Senado, segundo pesquisas de boca de urna.

O Partido Democrata do Japão (PDJ), presidido pelo primeiro-ministro Naoto Kan, teria entre 44 e 51 cadeiras das 121 submetidas a votação neste domingo, ou seja, a metade do total da Câmara, informaram pesquisas divulgadas pelo canal público NHK.

Para manter a maioria, a coalizão formada pelo PDJ e pelo Novo Partido do Povo (NPP), um pequeno partido nacionalista, tinha que obter pelo menos 56 cadeiras.

A derrota não impedirá que Naoto Kan se mantenha no poder - e ele chegou a dizer que irá ficar -, uma vez que seu partido é amplamente majoritário na câmara baixa. No entanto, complicaria a tarefa, forçando-o a buscar novas alianças para levar adiante suas reformas.

"As pesquisas de opinião são difíceis" para a coalizão governamental, admitiu Goshi Hosono, secretário-geral adjunto do PDJ. "O primeiro-ministro Kan fez declarações audaciosas sobre as finanças do Estado. Infelizmente, esta mensagem não foi bem recebida pelos eleitores", acrescentou.

Aparentemente os japoneses quiseram sancionar o PDJ após os comentários de Kan sobre um possível aumento da taxa sobre o consumo, atualmente de 5%.

O primeiro-ministro, nomeado há apenas um mês, paga os erros de seu antecessor, Yukio Hatoyama, que se demitiu apenas nove meses depois de assumir o cargo, devido à sua impopularidade e à sua incapacidade de governar.

O Partido Liberal-Democrata (PLD), principal força da oposição, parece ser o grande vencedor das eleições senatoriais, ao obter entre 46 e 52 cadeiras, muito além das 38 que pôs em jogo. Este grande partido conservador governou o Japão durante mais de meio século, antes de sair do poder no passado verão boreal, derrotado pelo PDJ.