Em visita na manhã desta sexta-feira (9), ao Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro (RJ), a candidata à presidência da República pelo PV, Marina Silva, elogiou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implantadas pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). No entanto, Marina fez coro com o candidato do seu partido ao governo, Fernando Gabeira, principal adversário de Cabral, ao afirmar que tais unidades ainda são restritas a uma ação pontual em determinadas favelas.

"A Segurança Pública deve ser feita em parceira entre o governo federal e o governo estadual, portanto, é bom já ter uma ação integrada desde a campanha", afirmou a candidata. Marina disse ainda que a segurança depende de prevenção, inteligência e ação repressiva, nunca uma coisa isolada da outra. "Uma cidade como o Rio de Janeiro precisa que se trabalhe como as UPPs estão fazendo. Mas, é como o Gabeira diz, essas experiências que hoje são pontuais, podem ganhar a escala necessária para atender a necessidade das populações em áreas de risco", afirmou.

Dominada pela facção criminosa Comando Vermelho, o Morro dos Prazeres não tem UPP. A favela é o principal cenário do filme Tropa de Elite, do cineasta José Padilha. O longa conquistou o Urso de Ouro, no Festival de Cinema de Berlim, em 2008.

A visita de Marina ao Morro dos Prazeres começou na casa do morador Flávio Minervino, de 44 anos, que vive no local desde que nasceu. A residência de Flávio é mais um comitê informal conhecido como "Casa de Marina", ação promovida para aproximar a candidata de seus eleitores. Embora more em área de risco - o morro foi um dos locais atingidos pela enchente de abril - Minervino acusa a prefeitura de "ameaçar os moradores com remoção".

Para os profissionais da Creche Municipal José Marinho Oliveira a queixa é outra. Eles reclamam que a prefeitura não emitiu nenhum laudo de risco desde a interdição da creche em 6 de abril, devido às chuvas, e temem o possível risco de desabamento. Com isso, os 126 alunos precisam ir para um espaço improvisado a cerca de dez minutos do local.

Tensão
A equipe da rádio CBN foi abordada por bandidos quando chegava ao Morro dos Prazeres para cobrir a atividade de Marina Silva. Em um primeiro momento, o carro de reportagem parou ao avistar um homem com uma pistola em uma mão e um rádio transmissor em outra. Após ser orientada por um morador sobre o local do evento, a equipe da rádio foi interpelada por um grupo de cinco rapazes, todos com rádios transmissores, que mandou o veículo parar. Um deles perguntou: "o que é que vocês estão fazendo aqui?". A equipe só foi liberada após explicar que estava no local para cobrir a campanha da candidata verde.

Visita ao Largo da Carioca
Após a passagem pelo Morro dos Prazeres, a candidata do PV a presidência foi homenageada com a música Marina Morena, de Dorival Caymmi, executada pelo saxofonista Ademir Leão, 59 anos e há 26 se apresentando na entrada da estação de metrô Largo da Carioca. Citando trechos da letra, Marina disse ao músico: "você me convenceu que sem censura sou bonita, com o que Deus me deu", a quem deu R$ 10.

O vendedor de biscoitos Raimundo Nonato, 60, pediu um adesivo para a presidenciável, a quem declarou o voto. "Senti simpatia por ela, gostei. Quero que ela seja eleita primeira presidente mulher do Brasil". A caminhada, no entanto, não chegou a alterar significativamente a rotina no Largo da Carioca, um dos locais mais movimentados do centro do Rio. Os artistas populares que se apresentam diariamente no local atraíram quase tanta atenção quanto Marina.

Outro comerciante do local, o vendedor de livros Francisco Olivar, 51, fez questão de cumprimentar a presidenciável e o candidato a deputado federal do PV, Alfredo Sirkis. "Ele é meu amigo desde que eu era gerente da livraria 'Entrelivros' no Largo do Machado. Ele tinha acabado de voltar do exílio e sempre comprava publicações francesas", contou Olivar.

Questionada sobre a proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) para a LDO, de vincular o aumento dos aposentados ao aumento do salário mínimo, a candidata disse não ter opinião formada, frisando que esse tipo de proposta deve ser analisada com muita cautela. "Já temos um déficit muito grande na previdência".