O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou nesta terça-feira (6) que o pré-sal será um debate de campanha. Diante da obstrução da oposição às votações em plenário, o governo desistiu de votar antes das eleições o projeto do marco legal do pré-sal que, entre outras coisas, altera o modelo de exploração de concessão para partilha de produção.
"Retiramos a discussão do pré-sal, aí você tira metade da tensão da obstrução, porque, na realidade, eles não queriam votar o sistema de partilha, então vamos enfrentar isso após as eleições", disse Vaccarezza.
Para o líder, o tema passará a ser debatido nas campanhas. "Isso vai ser um debate de campanha. Eles querem um sistema de concessão, porque é melhor para as multinacionais, para as grandes empresas, e a gente quer o sistema de partilha. Esse é um debate que vai ter na eleição e é bom que um tema como esse seja debatido", disse e acrescentou: "Quem quiser fortalece a Petrobras, a propriedade do Brasil sobre o óleo do pré-sal, pode votar na Dilma". Questionado sobre o "risco político" de se deixar a votação para depois das eleições, o deputado afirmou que o prejuízo será da oposição. "O prejuízo eleitoral vai ser da oposição, porque eles não têm coragem de defender o sistema de concessão, então ficam buscando subterfúgio pra obstruir a votação", afirmou.
Vaccarezza ressaltou que "o mais provável" é que o governo ganhe as eleições, o que facilitaria a aprovação do sistema de partilha depois do pleito. "O governo que ganhar vai ter mais condição. Com a Dilma na presidência, vamos ter condição de fazer essa votação com mais empenho", disse.
O líder aproveitou a conversa com os jornalistas para alfinetar a oposição: "Eu queria aproveitar a oportunidade para pedir que a oposição faça oposição ao Lula, porque eles são contra o Lula, que façam campanha contra a Dilma, mas não façam oposição ao País".
A oposição está obstruindo as votações por defender a regulamentação da Emenda 29, que estabelece percentuais mínimos a serem investidos na saúde pela União, por Estados e municípios. O mesmo projeto trata da criação de um novo imposto para a saúde, em substituição à extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).