Lahore, a segunda maior cidade do Paquistão, amanheceu nesta sexta-feira em estado de alerta máximo, horas depois do triplo atentado a bomba contra a mesquita de Data Darbar, reduto dos peregrinos muçulmanos da corrente moderada Sufi. O ataque deixou ao menos 41 mortos e 175 feridos e aumentou a pressão por mais ação do governo paquistanês contra a insurgência no país vizinho do Afeganistão.

Os ataques de Lahore não foram reivindicados, mas as autoridades suspeitavam dos militantes do grupo islâmico Taleban paquistanês, responsáveis por uma onda de atentados sem precedentes neste ano.

O grupo, contudo, nega a autoria do ataque em Lahore, megalópole 10 milhões de habitantes no leste do país que costuma ser alvo para os ataques dos insurgentes vinculados à rede terrorista Al Qaeda.

"Não somos os responsáveis por estes atentados, é um complô organizado por agências secretas estrangeiras. Vocês sabem que não atacamos lugares públicos", afirmou o porta-voz do Movimento dos Talebans do Paquistão (TTP).

As explosões ocorreram no santuário Data Darbar, um imenso complexo no centro da cidade, que abriga o túmulo de um santo sufi e recebe milhares de peregrinos a cada quinta-feira à noite, explicou o chefe da polícia de Lahore, Aslam Tareen.

O santuário abriga o túmulo de Hazrat Syed Ali bin Usman Hajweri, conhecido por Data Ganj Bajsh, nascido em Ghazni, no centro do Afeganistão, e que percorreu o sul da Ásia no século 11 para difundir o Islã e converter numerosas pessoas. Hazrat Chaudhry Shafiq morreu em Lahore, em 1077.

"Encontramos as cabeças e os corpos dos suicidas", disse Pervez. "Tentamos determinar como puderam entrar no local, que conta com um forte dispositivo de segurança".

Ofensiva

O Paquistão foi atingido nos últimos meses por uma onda de violência ligada aos extremistas, enquanto aumenta o combate ao grupo islâmico Taleban e a rede terrorista Al Qaeda no noroeste.

Os militantes, que teriam sido encurralados em seus redutos perto da fronteira com o Afeganistão, têm reagido com ataques a várias cidades, que deixaram dezenas de vítimas.

Há cerca de um mês, em 28 de maio, mais de 800 pessoas morreram em Lahore em ataques simultâneos cometidos por suicidas fortemente armados, membros de duas mesquitas de uma seita minoritária do Islã, os ahmadis.

Depois de duas horas de confrontos, a polícia conseguiu capturar dois dos terroristas. Um terceiro explodiu sua jaqueta de explosivos.

Em 12 de março, um duplo atentado suicida dirigido contra militares em Lahore deixou 57 mortos. Quatro dias antes, também em Lahore, um suicida ao volante de um carro explodiu um quartel da polícia, matando 15 oficiais e civis.

Cerca de 400 atentados e ataques deixaram quase 3.450 mortos nos últimos três anos em todo o país.