A participação na vida política na condição de candidatos fez comunicadores de Alagoas se afastarem de suas funções 90 dias antes do pleito, para cumprir a legislação eleitoral.
Em Maceió, o apresentador e atual deputado estadual Jefersson Moraes (DEM) e o radialista França Moura (PPS) saíram da mídia no intuito de disputar uma vaga na Assembléia Legislativa Estadual (ALE). No entanto, eles acham que essa medida é desnecessária, já que outros candidatos podem continuar exercendo normalmente sua profissão.
Não é a primeira vez que eles se candidatam, acreditando conhecer os anseios da população, pois em seus programas acompanham e criticam as ações dos ocupantes de cargos eletivos no Estado. Em 2006 Jefersson Moraes ficou como suplente e já assumiu três vezes o cargo na ALE. Já França Moura também foi suplente e assumiu na Câmara de Vereadores de Maceió.
Moraes, que se afastou de seu programa no dia 25 de junho afirmou que a lei que determina isso é contraditória, pois os comunicdores sabem que não podem fazer campanha política nos meios de comunicação onde trabalham, correndo o risco de serem punidos pela justiça eleitoral. Ele destacou que se sente tolhido no direito de trabalhar, o que não acontece quando médicos, por exemplo, resolvem se candidatar.
“Acho um absurdo ter que ficar sem exercer minha profissão só porque sou candidato. Eu sempre soube diferenciar o político do apresentador, tanto é que na televisão não costumo dizer que sou deputado nem que vou me candidatar. O que acontece é que as algumas pessoas não separam a profissão da propaganda política. Todos terão o mesmo espaço durante a campanha, por isso eu não poderia ser punido pela minha exposição na mídia, que não começou agora e sim, há muitos anos”, destacou.
Segundo o deputado, os telespectadores nem sempre são potenciais eleitores. Ele afirmou que em sua campanha pretende conquistar voto a voto no Estado. “Outros profissionais até podem pedir votos nos bastidores. Eu vou andar e pedir voto, pessoa por pessoa. Posteriormente, pretendo contestar essa determinação que afasta o comunicador da sua função e que só existe porque poucos profissionais da área se candidatam e não têm força para corrigir isso”, contou.
De acordo com França Moura a lei, criada em 1997 não tem sentido nesse caso e o afastamento beneficia políticos que fazem das eleições um acordo hereditário, para beneficiar parentes e amigos que desejam se eleger. Para ele, o fato do comunicador ter um nome conhecido não é suficiente para concorrer com pessoas que têm dinheiro para bancar campanhas e ainda, que apostam na compra de votos para chegar ao poder.
“Não é que o comunicador tenha vantagens, porque desempenha uma profissão que lhe dá visibilidade. Ganha quem tem conteúdo e história para ocupar o cargo. Com a minha candidatura os eleitores vão ter a possibilidade de mudar, mas se não quiserem, por acharem que está bom com os políticos que estão aí, podem continuar assim. É preciso renovação e maior participação do povo. Só só assim a vida política vai melhorar”, ressaltou.
