Quem aguardava com ansiedade a entrevista de Patrice Evra esperando que houvesse alguma declaração bombástica sobre o fracasso da França na Copa do Mundo de 2010 se decepcionou. Sem confirmar uma crise na seleção do país, o lateral esquerdo limitou-se a criticar o técnico Raymond Domenech, considerando que foi tratado como um "bode expiatório".

Após a queda francesa com duas derrotas e um empate na África do Sul, Evra prometeu que contaria tudo à imprensa acerca dos fatos que envolveram a campanha. Pelo menos nesta sexta-feira, quando se tornou o primeiro jogador da equipe a dar entrevista desde o retorno a Paris, ele não cumpriu o combinado.

Em declarações à emissora TF1, o capitão francês admitiu que a greve realizada no treinamento do último domingo foi um "gesto tosco", mas afirmou que a decisão por esse caminho foi tomada pelo "grupo" e não por somente alguns jogadores, conforme vinha apontando a imprensa gaulesa.

Na época, essa direção foi tomada para protestar contra o corte de Nicolas Anelka, que xingou Domenech no intervalo da partida contra o México e viu suas palavras vazarem à imprensa. Segundo Evra, os problemas foram criados exatamente pela capa do jornal L'Équipe com os xingamentos publicados. Depois disso, o técnico criou uma "guerra contra a imprensa", de acordo com o lateral.

Em meio a tanta confusão, o atleta do Manchester United foi um dos barrados na despedida do Mundial, diante da África do Sul. Ele reconheceu que o banco de reservas "doeu", acreditando ter sido tratado como um "bode expiatório".

Evra, 29 anos, pretende continuar sua trajetória na seleção da França e indicou que as coisas devem melhorar sob o comando do novo treinador, o ex-zagueiro Laurent Blanc. O jogador afirmou que haverá uma "investigação", com todos os integrantes do elenco sendo chamados pela Federação Francesa de Futebol para dar sua visão sobre a crise.