Goretti Brandão
Dia 21 de junho o site Filmologia (www.filmologia.com.br) estreou na internet. É uma revista virtual, criada pelos jornalistas, Ranieri Brandão e Ricardo Lessa Filho, com a intenção de abrir discussões e quem sabe, despertar o interesse do público, seletíssimo, infelizmente, além de contribuir para o surgimento de um público mais abrangente para o cinema.
Em Maceió a crítica cinematográfica é escassa. Elinaldo Barros, o primeiro convidado para a edição # 00, atesta sobre isso em sua entrevista (http://www.filmologia.com.br/?page_id=303) . Salientando a prática de muitos eventos culturais que acontecem, e que têm grande importância para a cultura alagoana, as discussões sobre arte na capital, como ponto de referência para o Estado, giram em torno da literatura, das artes plásticas, do artesanato, basicamente.
Isso é bastante perceptível, quando a própria mídia não dá espaço para essa temática e a divulgação do novo, do incipiente, não se estende para além das páginas dos jornais. Na verdade há uma prática jornalística viciada em promover o já existente. Há uma tendência, também, da própria intelectualidade alagoana, de conservar restritos esses espaços. Não fazem parte desses locais, nem têm acesso aos meios de comunicação - em tudo o que esses meios possam ser úteis à divulgação -, pessoas que não sejam indicadas, que não caiam nas graças daquelas que são representações simbolizadas de uma elite festejada, e que é composta de grupos bem delimitados.
Nota-se que o papel da cultura, cada vez mais, exclui o diálogo com o popular. É um bem a ser consumido por poucos. E esses poucos, em sua maioria, que deveriam propiciar a fruição para outros, a têm como objeto de ostentação intelectual, como puro ornamento à sua superioridade cultural. Ostentação egóica.
O cinema é o lugar onde pode ser possível a crítica sobre a modernidade, sobre a própria sociedade, através da imagem e do discurso dessas imagens, na apreensão de outras realidades. Pode ser o local, por excelência, da ampliação da consciência social, a partir dos conteúdos cinematográficos. O cinema como expressão artística, insere todas as outras modalidades artísticas e culturais dentro dele.
Mas isso parece não interessar à elegante intelectualidade alagoana, quando esta, tendo já alguns dos seus espaços dentro da mídia hegemônica, tendo, inclusive, pessoas ligadas à cultura e que se dizem lutadoras por um mundo melhor, atuando dentro dessas mídias, deixam de fora os novos expedientes, as novas apreensões dentro do contexto cultural, à deriva. Cuidando de festejar a si mesmos.
Filmologia aí está. Inaugura um espaço. Aliás: pede por esse espaço. Não àqueles que sequer sabem sobre o cinema como arte. Esses são mantidos de fora. Coitados. Mas aos que sabem, mas não valorizam. Aos que, nas rodas de amigos, citam Godard, Truffaut, Akira Kurossawa... Citam os filmes de Ingmar Bergman, apenas como acessório à sua verborragia de elite cultural, de vanguarda intelectual. E só!
Então, dá licença, pessoal?