A série "Príncipe da Pérsia" nasceu no fim dos anos 80 como um ingênuo projeto do designer de jogos eletrônicos Jordan Mechner, que sonhava criar aventuras tão empolgantes quanto as que lia nos livros e via no cinema, como os contos de 1001 Noites e as peripécias de Indiana Jones.

O game de computador teve diversas versões e continuações, até cair nas graças da Disney e do produtor Jerry Bruckheimer, que decidiram adaptar a história para o cinema. Antes, porém, em 2008, "Príncipe da Pérsia" foi do videogame para as histórias em quadrinhos nesta graphic novel que só agora chega ao Brasil.

A HQ tem base na franquia dos jogos -- mas não especificamente em nenhum dos jogos -- e mostra dois príncipes diferentes, um do século 9 e outro do século 13, cujos destinos de alguma maneira se entrelaçam. Confusa a princípio, a trama se desenvolve de maneira inteligente e cativante, criando empatia com os personagens e estabelecendo laços sutis, mas muito marcantes entre as duas linhas temporais. Muito violenta em partes, a história não economiza em elementos cômicos e românticos, proporcionando variedade com equilíbrio.

A exemplo dos games, os príncipes enfrentam duelos e mostram muitas habilidades acrobáticas, mas o ponto mais interessante da graphic novel é o aspecto social, algo até então pouquíssimo explorado. O papel que cada herói desempenha na sociedade que vive é debatido e serve como peça-chave para entender e resolver a história.

Com roteiro proposto pelo próprio Jordan Mechner, o livro tem a trama assinada pelo iraniano A.B. Sina, que tratou de refinar as lendas do oriente presentes no enredo. As ilustrações ficaram sob responsabilidade de LeUyen Pham and Alex Puvilland, que conferem um ar simplista, mas bonito e competente.

Ao final, um interessante artigo de Mechner desenha um panorama geral da franquia, explicando sua evolução ao longo dos anos, enquanto também mostra a importância afetiva que ela tem na vida dele.