A cidade de Branquinha – distante 56 km de Maceió – definitivamente sumiu no mapa. Depois da enchente, no último sábado (19), a prefeita Renata Moraes reconheceu a destruição total do seu município e descartou a reconstrução no local de origem. “Eu não tenho mais cidade, ela está devastada. A cidade se acabou. Branquinha como conhecemos é passado, ela foi atingida em seu coração, nesta tragédia”, declarou a prefeita.
Renata se refere ao centro da cidade, onde todo o comércio funciona, com postos de saúde, setores administrativos dentre outros serviços básicos do município. “A região central onde é localizado o comércio, tudo foi destruído. Para não cometermos o mesmo erro do passado, a reconstrução da cidade em seu local de origem está descartada. Com a ajuda do Governo do Estado, Federal e Senadores eu tenho fé que construiremos uma nova Branquinha na parte mais alta da região” justificou.
A prefeita lembrou a enchente de 1969, na qual a região do Vale do Mundaú sofreu com as fortes chuvas daquele ano. Mas, mesmo assim, autorizou o regresso de seus moradores para a região afetada. A tragédia foi presenciada por seu Amaro Coel, conhecido na cidade como ‘O Gavião’. Aos 67 anos, ele lembra muito bem do que aconteceu naquela época. “Mas comparado a deste ano, meu filho, aquilo foi fichinha”, comparou.
Mesmo tendo a experiência de quem conviveu de perto com a tragédia, Amaro resolveu continuar na região já afetada. “Eu nasci e cresci aqui. Neste local tenho um ponto comercial onde meu filho tem um negócio próprio. Então não dá para sair e deixar ele para trás”, justificou. A vítima enche os olhos de lágrimas, ao lembrar amigos que perdeu ou ainda estão desaparecidos. Mas ele e é taxativo ao afirmar: “se a enchente tivesse sido à noite, tinha matado a todos”.
‘Gavião’ concorda que os administradores daquela época deveriam ter tomado uma posição: como proibir a habitação da área, por exemplo. Mas não descarta a culpa da própria população, que de forma ‘irresponsável’ não deixou o local. Este drama acaba se repetindo e a população sentindo, de novo, os efeitos desta tragédia. Além de ter pertences em suas residências destruídas, as vítimas tentam fechar suas portas para conter uma onda de saques. Como é o caso da dona de casa Gedilsa Silva, 42. No imóvel residiam três famílias. Diariamente, ela vem à residência pegar pertences que ainda estão sobre os escombros e tentar ‘preservar’ o que tem de valor. “Meu filho, eu me pergunto o porquê fechar este portão. Mas não tem jeito, isso é o mínimo que eu posso fazer”, explicou. Ela diz que nunca viu nada igual e ainda a sente a dor de uma perda. “Eu acabo de enterrar um amigo meu, era mesmo que ser um filho” lamenta a vítima.
Precariedade
Os recursos na cidade são escassos. Desde sábado o município sofre com a falta de água potável e energia elétrica. Além da perda de mantimentos e locais que permitam o armazenamento destes alimentos. “Até agora não estamos recebendo ajuda de fora. Pode estar chegando água, comida, lá em cima. Mas aqui em baixo está difícil”, denunciou Cremilda dos Santos, 35.
Funcionária da Prefeitura, ela garante que os esforços dos municípios são o que garantem o básico de assistência para as vítimas. “Caso o contrário, prefiro nem pensar como seria”, lamenta a vítima. Ela e a colega de trabalho Maria Tamires da Silva, 22, relembram que tudo aconteceu muito rápido, mesmo com as informações de que estava chovendo muito e a parte alta da região já tinha sido afetada. “A água chegou de repente. Invadindo tudo. Não deu tempo de tirarmos nada de dentro da casa”, relembra Tamires.
Sem energia, o comércio está parado. O único posto de combustível da cidade só serve de abrigo. “Não dá para refrigerar alimentos, nem tampouco abastecer os carros. Tudo aqui funciona a base de energia. Desde sábado não entra um centavo no caixa”, declarou o frentista, Edmilson Nunes.














