O Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) vai apresentar um relatório contendo nomes de políticos de Alagoas condenados por órgãos colegiados da justiça, o que os deixaria inelegíveis, de acordo com a Lei Ficha Limpa – que teve origem a partir de um projeto de iniciativa popular. Porém, isso só deve acontecer após as convenções partidárias, para pegar alguns candidatos de surpresa.
Assim, candidatos à Câmara Federal e ao governo do Estado e ainda, atuais senadores podem ter a candidatura impugnada. A necessidade de elaborar o relatório, em parceria com o Ministério Público Estadual (MPE) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) surgiu por conta da morosidade da justiça em Alagoas e foi feita através da coleta de documentos em cartórios do interior.
De acordo com o coordenador do MCCE em Alagoas, Fernando CPI a lista deverá fazer uma varredura em políticos que usaram seus mandatos para desviar verbas e cometer outros crimes, devido ao foro privilegiado. Ele afirmou que já há pessoas querendo se promover ás custas da Lei Ficha Limpa e lembrou que a aprovação do projeto foi uma grande vitória da sociedade.
“Fomos instruídos pelo juiz Marlon Reis, idealizador do movimento, a só divulgar a lista após as convenções. O MCCE foi fundado no dia 20 de dezembro de 2005. Convidamos várias entidades, mas só a OAB e a Força Sindical nos ajudou. Encampamos o Ficha Limpa e com muito esforço montamos uma tenda no Centro de Maceió, para coletar assinaturas favoráveis ao projeto. Fui até o interior e em todo o Estado conseguimos que mais de seis mil pessoas assinassem. Por isso, não admitimos que usem isso para fins eleitoreiros e se denominem fichas limpas para enganar a população”, destacou.
Fernando CPI adiantou que com a divulgação do relatório o cenário político do Estado será alterado, tanto para os pré-candidatos ao governo quanto para os que pleiteiam as vagas na Assembléia Legislativa (ALE). CPI lembrou que muitas pessoas desabonaram as coisas ditas por ele, o que mudou após a aprovação do projeto.
“Há muita gente abrindo a boca para dizer que não tem problemas com a justiça. Há candidatos ao governo que já foram condenados por órgãos colegiados. Alguns políticos dão uma de bonzinhos, mas têm muitas contas a prestar. Falta ‘memoriol’ porque quem faz as coisas erradas tem memória fraca. Quem fala a verdade não se abala e não fica apontando outros fichas sujas para se justificar”, afirmou.
Segundo CPI a sociedade precisa se engajar mais na luta pela moralização da política e participar ativamente das ações do movimento. “Estamos de portas abertas, das 9h ás 16h, no Palácio do trabalhador, mas vamos analisar a idoneidade das pessoas que queiram participar. Quem tiver filiações partidárias pode se unir a nós, só reafirmo que não permitiremos que usem o MCCE para fins eleitorais”,
O coordenador do MCCE agradeceu a imprensa pela ajuda na divulgação das ações do movimento e pela mobilização acerca do Ficha Limpa e informou que haverá novas campanhas para conscientizar os eleitores. Ele acha positivo que novos candidatos substituam políticos que há 30 anos se mantém no poder.
“No próximo mês vamos começar uma campanha em âmbito nacional, denominada ‘Voto não tem preço, a saúde é seu direito’ pois muitos políticos usam a saúde para ter votos. Preciso agradecer a vários jornalistas, e aos sites, como o Cadaminuto pelo apoio”, informou
Taturanas
Na última segunda-feira (21), o MCCE protocolou junto a ALE a solicitação para que a Casa instale uma CPI, para apurar a responsabilidade dos deputados envolvidos na Operação Taturana, da Polícia Federal, deflagrada em 2007 e que acabou descobrindo um desvio de verbas de mais de R$ 300 milhões nos cofres públicos. CPI pediu que o juiz Gustavo Lima agiliza a conclusão do processo.
“Sabemos que é difícil punir os acusados, mas não poderíamos deixar de fazer essa provocação. Entregamos a solicitação ao presidente da ALE, Fernando Toledo para que esse caso não caia no esquecimento. Em breve começam as convenções e o judiciário não se movimenta. Só falta os taturanas conseguirem se candidatar. Mas, vamos lutar com todas as ferramentas legais e pedir a impugnação desses fichas sujas em parceria com o MPE”, ressaltou.
