O engenheiro responsável pelo prédio da UFRJ, no Rio de Janeiro, descartou risco de desabamento nesta terça-feira. A previsão é de que até 17h termine o trabalho de escoramento feito pela empresa Concrejat. A recuperação estrutural deve durar uma semana.
Ainda segundo o engenheiro, a construção está defasada, já que hospitais com 13 andares não são mais construídos. Hoje em dia, o máximo aceitável é de quatro andares. Ele também defendeu a demolição do prédio, mas disse que o custo de manutenção de uma área desativada é muito alto.
A transferência de pacientes para hospital de campanha não procede. Foram remanejados 79 pacientes da ala D para outras alas internas. O hospital de campanha foi montado, mas está somente com as tendas. Os equipamentos necessários para o atendimento não chegaram. As aulas que eram ministradas no prédio foram suspensas até quinta-feira. As cirurgias só serão retomadas nesta quarta-feira.
A situação ainda era tensa no Hospital Clementino Fraga Filho, o Hospital do Fundão, na manhã desta terça-feira. Funcionários e pacientes de uma ala inteira da instalação ainda estão com medo que o prédio desabe, após os estalos na estrutura ouvidos na noite de segunda-feira na Ala C.
Logo após o problema, uma ala inteira foi esvaziada e 79 pacientes foram remanejados para outros setores, depois de constatado risco de desabamento do imóvel. Funcionários e pacientes ouviram estalos e técnicos da Defesa Civil e engenheiros da UFRJ detectaram comprometimento da estrutura de dois pilares da parte desativada, mas que afeta todo o complexo.
Seis pessoas que estavam no Centro de Tratamento Intensivo foram encaminhadas para hospital de campanha do Corpo de Bombeiros, montado no estacionamento na unidade.
De acordo com o secretário de Saúde, Sérgio Cortes, está na hora do Governo Federal tomar uma decisão efetiva para que o hospital tenha condições de funcionar.
"A grande questão aqui é a tomada de decisão. Este hospital é estratégico para a cidade e agora temos que saber o que faremos com este prédio. Estamos fazendo os ajustes necessários para os pilares, mas precisamos fazer algo depois", disse Sérgio Cortes.
Um empresa do ramo da construção civil é a responsável por fazer os reparos de emergência no prédio. Pela manhã, funcionários instalavam placas de aço para sustentar os pilares. O prazo para o término é 17 horas desta terça-feira.
O local danificado tem cerca de 150 metros de extensão e vai do subsolo ao 13º andar. Essa parte corresponde à área não ocupada pelo hospital, pois a obra, iniciada na década de 50, nunca fora concluída. Ainda assim, pode comprometer o restante do prédio, onde estão internados 260 pacientes. Obras emergenciais de sustentação e de reforço dos pilares começaram ontem mesmo.
Cirurgias Canceladas
Por causa dos abalos, todas as cirurgias foram canceladas. Os pacientes que seriam submetidos a operações agendadas receberam alta. No caso de algum paciente precisar passar por procedimento de emergência, será transferido para outra unidade de saúde.
Estudo da área de Engenharia da UFRJ já alertara para o risco de desabamentos, mas mesmo assim a unidade continuava funcionando normalmente.