O governo deve assumir o controle total do projeto de construção da usina hidrelétrica Belo monte, no rio Xingu (PA). A negociação para a formação final da empresa que vai explorar a hidrelétrica por 35 anos ficou a cargo de dois nomes de confiança no Planalto. O dado surge pouco antes da assinatura final do contrato de concessão da obra, prevista para 30 de setembro.
Valter Cardeal, diretor da Eletrobrás e pessoa de confiança da presidenciável Dilma Rousseff (PT), e Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte e irmão do ex-ministro Antônio Palocci articulam a formação do grupo.
Nas mãos deles, está a escolha dos fornecedores de equipamentos, que envolve contratos de R$ 6 bilhões, e a contratação das empreiteiras para construir a usina, orçada pelo governo em algo como R$ 16 bilhões. Ao todo, Belo Monte custará perto de R$ 25 bilhões.
A usina foi apresentada pelo Planalto como um projeto privado, ficando fora das regras de licitações de obras públicas. Na prática, porém, o governo entregou a concessão para si mesmo.
Hoje, o único papel das oito empresas privadas, que ao lado da estatal Chesf formaram o consórcio Norte Energia e venceram o leilão, é participar de encontros semanais para tomar conhecimento das decisões do governo.
Comandados por Cardeal e Palocci, os encontros ocorrem todas as quintas-feiras, sempre à tarde. O lugar não é fixo: às vezes, ocorrem nos escritórios da Eletrobrás em Brasília ou no Rio de Janeiro e, de vez em quando, em um prédio da Vila Olímpia, em São Paulo. José Aílton Lima, diretor da Chesf e presidente do consórcio, também participa, mas é o que menos interfere.
Do outro lado da mesa, os representantes da Queiroz Galvão, JMalucelli, Serveng, Contern, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Cetenco e Gaia apenas ouvem o resumo da semana. Antes do leilão, todos eles tinham pré-acordos com fornecedores. Após a disputa, foram avisados que deveriam esquecer os arranjos e deixar tudo por conta da Eletrobrás.
- Quem lidera o processo são Eletrobrás, Eletronorte e Chesf, sócias das empresas privadas.
Nesta semana, a diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou o resultado do leilão da usina. A decisão foi antecipada em duas semanas. Com isso, o consórcio vencedor pode antecipar o início da operação.
Os empreendedores querem iniciar a geração de energia – prevista anteriormente para janeiro de 2015 – em julho de 2014. A licitação ocorreu em abril, em meio a um debate judicial que quase travou o leilão por duas vezes.
Mais participantes
Uma reunião marcada para esta quinta pode definir os principais autoprodutores da usina, aqueles grandes consumidores de energia elétrica que, pelas regras da concessão, ficarão com 10% da obra.
Até agora, a única empresa confirmada nessa categoria é a Gaia Energia, empresa do grupo Bertin, que já é sócio de Belo Monte.
Segundo fontes que participam do processo, as empresas mais perto de um acordo para integrar o grupo são a Sinobras - Siderúrgica Norte Brasil, do Pará, Gerdau, Braskem e CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). Outras empresas, como Arcelor Mittal, também teriam manifestado interesse em ser sócias da hidrelétrica.
Além deles, os fundos de pensão já teriam acertado seu ingresso na empresa que vai explorar Belo Monte. Pelo último esboço, a Petros (dos funcionários da Petrobras) terá participação de 10% e a Funcef (Caixa), de 5% a 7,5%. A Previ (Banco do Brasil) também terá uma participação - ainda não definida - por meio do fundo 521 Participações, hoje sócio da CPFL e Neoenergia. O fundo de investimento FI-FGTS terá outros 5%. Juntos, os fundos ligados ao governo terão 30% de Belo Monte.