A aprovação do projeto Ficha Limpa no Senado Federal, que ocorreu no último dia 19, trouxe novos questionamentos para o cenário político brasileiro. Um deles diz respeito a aplicação da lei apenas para aqueles candidatos que ainda serão condenados, visto a mudança verbal no texto do projeto, embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha decidido que a lei valerá para as eleições deste ano.
Agora, muitos partidos políticos têm discutido o que devem fazer em relação a seus filiados, principalmente aqueles que possuem processos na justiça e são detentores de mandatos, com a intenção de se reelegerem. Em Alagoas os indiciados na Operação Taturana, da Polícia Federal ainda estão a mercê do Ficha Limpa, pois o processo foi retomado pelo juiz Gustavo Sousa Lima.
O Cadaminuto entrou em contato com alguns líderes de partidos em Alagoas para saber que medidas serão adotadas para a adequação dos candidatos à nova lei nas próximas eleições, que devem ser marcadas pela moralização da política. Para o presidente do DEM, José Thomás Nonô ainda faltam definições sobre a aplicação do Ficha Limpa, principalmente em relação a antigas e novas condenações de candidatos.
“Falta a grande resposta que ainda não foi dada pelo TSE a sociedade. Temos que saber se a lei vale para quem já tem condenações. Se nem isso foi definido, imagine em relação a novas filiações, até porque não é época para isso. A Constituição de 1988 define que o Supremo Tribunal Federal (STF) é responsável por julgar políticos. Em 22 anos só houve uma condenação, por isso tenho uma opinião amarga. É difícil acreditar na justiça”, lamentou.
Nonô afirmou que o Ficha Limpa tem servido para encher páginas de jornais ao invés de começar a ser aplicado na íntegra. “Parece mais uma ilusão para tirar a atenção da população. A imprensa tem que ficar vigilante em relação aos partidos políticos. O DEM não tem fichas sujas, mas basta olhar as pesquisas, nas quais os que têm mais votos são os deputados bandidos”,destacou.
Já o presidente do PT, Joaquim Brito reafirmou a posição da direção nacional do partido, lembrando que a ficha limpa será um dos pré-requisitos para novas filiações. “Vamos exigir a adequação de todos os pré-candidatos a essa lei, de acordo com o que for determinado pela justiça eleitoral ou pelo supremo. A justiça deve decidir quem poderá ser candidato nas próximas eleições. No PT não há temor, apoiamos integralmente o Ficha Limpa, que para mim deveria ter vigência imediata e ter sido criado há mais tempo”, destacou.
O presidente do Psol, Mário Agra reforçou que ele é o único pré-candidato ao governo do Estado que pode ser considerado ficha limpa. “Mesmo antes do projeto o PSOL só aceitava filiados que não têm pendências na justiça”, destacou.
Eduardo Bomfim, presidente do PCdoB disse que o partido é favorável ao Ficha Lmpa e deve se pautar pelo que diz a lei. “Vamos prezar pelo cumprimento efetivo do que diz o Ficha Limpa, para evitar qualquer problema”, reforçou.
O Cadaminuto tentou entrar em contato com demais líderes, como Francisco Tenório, presidente do PMN, que possui entre seus filiados Cícero Ferro, indiciado na Operação Taturana e ainda, com o presidente do PPS, Régis Cavalcante, Augusto Farias, do PTB e Carlos Alberto Canuto, do PSC, mas os celulares dos parlamentares estavam desligados.
