O depoimento do pescador considerado a principal testemunha no caso da advogada assassinada Mércia Nakashima não muda o cenário das investigações, segundo o advogado de Mizael Bispo, o principal suspeito do crime. Samir Haddad Junior coloca em dúvida o depoimento do pescador e diz que prefere aguardar a perícia.

- Espero que não seja história de pescador, mas sim do pescador. Como ele viu um carro sendo jogado dentro de uma represa e só avisa a polícia uma semana depois? Ele deixou de socorrer a pessoa e de avisar sobre o que viu.

Junior não acredita na verdade do depoimento do pescador pelo fato de ele só ter contado o que viu à polícia uma semana após o ocorrido. Em entrevista ao R7 na manhã desta terça-feira (15), ele afirma que não há como comprovar a tese da polícia de que Mércia morreu no dia em que desapareceu, em 23 de junho, apenas pelo depoimento do pescador.

A polícia diz que o pescador contou em depoimento que viu apenas um homem empurrando o carro da vítima para dentro da represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, onde o corpo dela foi encontrado na última sexta-feira (11).

A cena foi presenciada pela testemunha enquanto ele pescava na margem da represa, por volta das 19h30 do dia 23 de maio, no mesmo dia em que a vítima desapareceu. Ele também contou que viu o carro chegar por uma ladeira que dá acesso à represa. Em seguida, ouviu gritos de uma mulher bastante nervosa e, cerca de três minutos depois, presenciou um homem saindo pela porta do motorista e empurrando o carro para dentro da represa. O veículo, segundo o depoimento do pescador, ficou boiando e submergiu após quatro minutos.

O pescador conta que não conseguiu enxergar mais detalhes do homem porque estava na outra margem da represa, mas que ele tinha uma altura de média para alta. Ele também relatou que o homem fez um caminho diferente daquele por onde chegou e seguiu em direção a um terreno que fica próximo do local.

Por ser considerado a principal testemunha do caso da advogada assassinada, o pescador foi colocado no Programa de Proteção à Testemunha, do governo federal. A informação foi confirmada pelo delegado Antônio Olim, da delegacia de desaparecidos do DHPP (Departamento de Homídios e Proteção à Pessoa).

O corpo de Mércia foi encontrado na sexta-feira (11) em uma represa de Nazaré Paulista interior de São Paulo, e estava com a mesma roupa com que ela foi vista pela última vez em imagens do circuito interno de um elevador. No último domingo (13), familiares da advogada percorreram as margens da represa em busca de documentos e outros objetos que estavam dentro do veículo e que possam ajudar a esclarecer o crime.

Exames preliminares feitos pelo IML (Instituto Médico Legal) no corpo de Mércia indicam que ela sofreu uma fratura no maxilar.