No sábado, o presidente Barack Obama pediu ao Congresso mais auxílio a Estados e cidades para impedir "o impacto econômico devastador dos cortes no orçamento" dos governos locais, que ameaça o emprego de professores, policiais, bombeiros e outros servidores públicos. Em uma carta aos líderes congressistas democratas e republicanos, Obama disse que a "crescente crise de emprego" nos Estados "pode reverter o ritmo de nossa recuperação econômica".

Defensores do auxílio aos Estados, como congressistas democratas, governadores e prefeitos, pedem que o presidente pondere a respeito de uma proposta legislativa, que inicialmente provia até US$ 50 bilhões em auxílio, e que está parada na Câmara e no Senado. Obama não manifestou apoio a nenhum valor em dólar, refletindo o fato de líderes democratas estarem tentando calcular qual quantia poderia conquistar votos suficientes em seu partido, considerando a oposição quase unânime dos republicanos.

Quase cinco meses após Obama anunciar, no Discurso sobre o Estado da União, uma última rodada de gastos em estímulo para governos locais e programas de crédito e cortes de imposto para pequenos negócios, o Congresso continua pedindo a redução de várias medidas de criação e manutenção de empregos, porque o argumento econômico a favor do estímulo entra em choque com os temores políticos dos legisladores de déficits ainda maiores.

Em sua carta, o presidente disse que governos estaduais e locais tiveram que cortar 84 mil postos de trabalho este ano e precisão cortar mais a não ser que recebam ajuda da lei de recuperação, que distribui US$ 787 bilhões ao longo de dois anos e que foi sancionada por Obama um mês após assumir o poder.

Diferente do governo federal, os Estados, com exceção de um, e a maioria dos governos locais são obrigados por lei a equilibrar seus orçamentos anuais, portanto, eles continuam a sofrer com o aumento de gastos em programas de auxílio e com a perda de receita oriunda do alto desemprego e das execuções hipotecárias.

Obama não propôs compensar os custos de nenhum auxílio estadual usando os recursos poupados com o corte de outros gastos ou o aumento de impostos, a pedido de republicanos e democratas conservadores. Ele lembrou os líderes que havia proposto várias formas de reduzir gastos futuros, incluindo um congelamento de três anos nos gastos domésticos a começar no próximo ano fiscal. Mas seus conselheiros, e muitos economistas, argumentam que um déficit de gastos adicionais é necessário para impedir que a economia volte à recessão.

Apresentando o argumento econômico no auxílio aos Estados, Obama disse que se professores e outros fossem demitidos - seu secretário de Educação, Arne Duncan, disse que, sem o auxílio federal, o país poderá ter até 300 mil professores a menos nas salas de aula - "isso significará mais custos ajudando esses americanos a procurar um novo trabalho, enquanto seu salário perdido vai significar receita tributária menor e menor demanda para bens e serviços produzidos por outros trabalhadores." Ele continuou: "É por isso que o custo real de salvar empregos locais e estaduais é provavelmente de 20% a 40% menor do que seu custo orçamentário."

Obama havia manifestado apoio a cerca de US$ 50 bilhões de auxílio inicialmente - US$ 25 bilhões para funcionários públicos, US$ 23 bilhões dos quais iriam para o sálario de professores, e US$ 25 bilhões para equilibrar o aumento de gastos dos Estados por sua participação no Medicaid, o programa público de saúde voltado para pobres, deficientes e residentes de asilos.

O presidente também pediu maior rapidez em relação às suas propostas de expandir isenções fiscais para pequenas empresas e de criar uma linha de crédito de US$ 30 bilhões, porque muitos bancos continuam relutantes em emprestar para pequenos negócios. Em seu discurso semanal para a nação, Obama pediu ao Congresso que impedisse a redução de 21% no pagamento a médicos consultados por pacientes do Medicare.

O chamado ajuste médico está empacado no Senado. Se os legisladores não aprovarem os bilhões de dólares nos gastos, o corte deve ocorrer nesta semana. Obama alertou que, se os republicanos bloquearem a votação, isso "sem dúvida forçaria médicos a parar de atender todos os pacientes do Medicare".

O corte é baseado em uma fórmula aprovada pelo Congresso no final dos anos 1990 para impedir o crescimento nos gastos do Medicare, mas os cortes têm sido adiados todos os anos desde 2003. Os democratas propõem outra solução temporária como parte de um pacote que aumentaria a isenção fiscal e estenderia os benefícios a desempregados.