Os governadores Sérgio Cabral, do Rio, Paulo Hartung, do Espírito Santo, não irão à convenção do PMDB no próximo sábado (12). Os peemedebistas tomaram a decisão em razão da aprovação da emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que prevê que os royalties do pré-sal sejam divididos de forma igual entre todos os Estados e municípios.
Na madrugada desta quinta-feira (10), os senadores aprovaram, por 41 votos a 28, a emenda do senador, feita a partir de projeto do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que foi aprovado na Câmara dos Deputados. A medida impõe ao Rio de Janeiro e Espírito Santo perdas anuais superiores a R$ 10 bilhões.
Em coletiva de imprensa, Sérgio Cabral expressou sua indignação com a medida:
- É uma decepção ver os companheiros do PMDB nessa movimentação covarde, nesse achaque aos cofres públicos. Faltou respeito ao Rio e ao companheiro do PMDB.
Cabral disse que tomou a decisão de não ir à convenção com o Paulo Hartung.
- Não me sinto à vontade, não senti solidariedade ao Rio e sou representante do Estado, não só do partido.
O prefeito Eduardo Paes (PMDB) também criticou o senador.
- É decepcionante ver Pedro Simon, que marcou sua vida pela ética tomar essas emendas na madrugada. Me causou surpresa ele se utilizar da madrugada, que é um lugar que não se preza pela ética.
A assessoria de imprensa do senador Pedro Simon informou que ele não comentará as declarações.
O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, afirmou nesta quinta-feira (10) que espera do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o veto à emenda.
Para o governador capixaba, a modificação feita por Simon na chamada emenda Ibsen que transfere para a União a tarefa de ressarcir as perdas dos Estados produtores não amenizará as dificuldades desses Estados. Em entrevista à rádio CBN, Hartung disse que “em tese, os Estados produtores não sairiam perdendo [...]. A experiência do nosso país mostra que isso não funciona”.
Ao contrário do tom adotado nos últimos meses pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), Hartung disse respeitar o Senado e apostar no diálogo "sereno e respeitoso" com a instituição. Para o governador capixaba, a aprovação da emenda é fruto do ambiente eleitoral.