O sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou nos meses de março e abril, respectivamente, 51,79 km2 e 51,71 km2 de desmatamentos por corte raso ou degradação progressiva na Amazônia Legal, somando 103,5 km2.
O levantamento apontou que o Estado que mais desmatou no período foi o Mato Grosso, com 76,4 km2, seguido pelo Pará, com 17,7 km2. Rondônia e Amazonas desmataram 3,6 e 3,4 km2, enquanto Roraima perdeu 2,2 km2 de floresta.
Segundo o Inpe, a divulgação feita nesta segunda-feira é referente a dados bimestrais porque este é o período de chuvas na Amazônia, quando se torna mais difícil a observação por satélites por causa da intensidade de nuvens que cobrem a região. "Mas o sistema mantém sua operação regular enviando dados quinzenalmente ao Ibama", diz o instituto em comunicado.
Dados imprecisos
"Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Deter não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da floresta amazônica. Pelos mesmos motivos o Inpe não recomenda a comparação entre dados de diferentes meses e anos", diz a nota de divulgação do levantamento.
O sistema Deter está em operação desde 2004, e indica tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região.
Como Deter utiliza dados do sensor Modis do satélite Terra, com resolução espacial de 250 metros, é possível detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares. O INPE reitera que nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo sistema, devido à cobertura de nuvens. Contudo, a menor resolução dos sensores usados pelo Deter é compensada pela capacidade de observação diária, que torna o sistema uma ferramenta ideal para informar rapidamente aos órgãos de fiscalização sobre novos desmatamentos.