Os alemães receberam o brasileiro Cacau de braços abertos. No primeiro treino da seleção na África do Sul, nesta segunda-feira, em Pretória, o jogador do Stuttgart foi aplaudido, ovacionado e recebeu até gritinhos especiais de torcedoras mirins. Como se fosse um legítimo alemão.

Naturalizado no ano passado, Cacau joga desde 1999 na Alemanha e não sofre resistência por ser estrangeiro. Pelo menos entre a grande maioria dos torcedores da seleção, que falam até em orgulho de ter um brasileiro no elenco.

"Não vejo nenhum problema em ele ser estrangeiro. Pelo contrário. Nós ficamos muito orgulhosos de ter um brasileiro na equipe. Isso vai nos ajudar bastante", disse Arian Miruir, que nasceu na Alemanha e mudou para a África do Sul com cinco anos. "Eu poderia jogar pela África do Sul também, qual seria o problema?", questionou.

Segundo Miruir, o que vale é como essa pessoa se integrou à nação a qual irá fazer parte. "Se você nasceu em outro país, mas se integrou a essa nova sociedade com dignidade e contribuiu de alguma forma por ela, por que não ser adotado? Hoje em dia isso é cada vez mais normal", disse.

Na mesma linha, Ernesto Mandlein lembra de um período tenebroso da história de seu país para explicar sua opinião. Há 30 anos na África do Sul, o senhor de 77 anos diz que com o fim do nazismo os alemães passaram a ter outra relação com os estrangeiros.

"Eu acho que temos construir uma nação com todos que a querem. Ele joga na Alemanha há bastante tempo, assim como muitos imigrantes trabalham e ajudam o país de alguma forma. Nós temos que abrigá-los", opinou.

Sobre o futebol de Cacau, mais elogios. "Ele é um jogador fantástico. Temos muita confiança nele", disse o torcedor, que gostaria de ver o brasileiro entre os titulares. Pelo menos ao conversar com um brasileiro.