O Centro Universitário Cesmac realiza amanhã (dia 08/06), às 19h, coquetel de lançamento da exposição “Do Regional ao Universal - Uma retrospectiva de Ismael Pereira”. A mostra entra em cartaz na Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes, sob curadoria do jornalista e ex-galerista Romeu de Mello Loureiro. A exibição apresenta telas e cerâmicas de Ismael Pereira, mostrando sua evolução estética ao longo de 40 anos de carreira. O artista sergipano vive atualmente em Aracaju, onde mantém uma galeria de arte na qual exibe sua obra e sua produção atual. Contudo, ele estará presente amanhã no lançamento da exposição.

Pereira nasceu em 1940 no município de Capela (SE), mas viveu em Alagoas no período entre 1968 e 2005. “Ele se radicou em Arapiraca, onde se deixou atrair pela política, elegendo-se vereador e depois deputado estadual por três legislaturas - porém, sem abandonar os pincéis”, relembra Romeu Loureiro, mencionando que a cultura e a arte popular alagoana exerceram grande influência estética sobre a produção do artista.

A parceria entre Pereira e Loureiro tem história. O curador, que por anos manteve o Escritório de Arte Romeu Loureiro, no bairro da Ponta Verde, foi responsável por três exposições do artista em Maceió. “A primeira mostra foi realizada no meu escritório, na década de 80, e as seguintes foram promovidas nos anos 90 no centro de convenções do antigo Hotel Meliá e na Galeria Miguel Torres, do Teatro Deodoro. Sou admirador do estilo de Ismael Pereira, que considero um grande artista, por causa da universalidade de sua obra”, afirma o curador.

E foi a universalidade da arte de Ismael Pereira que o levou a expor seus trabalhos para além das fronteiras do Estado, com boa acolhida entre artistas e críticos, segundo Romeu Loureiro. “Em 1968, ele expôs no México e foi muito elogiado pelo célebre pintor mexicano, David Alfaro. Três anos antes, havia sido realizada a segunda individual do artista na Galeria Portal, em São Paulo, com apresentação do renomado crítico de arte, Mário Gelenni - o que trouxe grande repercussão para o seu trabalho na mídia nacional”, relembra.

Loureiro conta que a obra de Ismael Pereira percorreu vários estados brasileiros nos últimos 40 anos, inclusive em exposições coletivas, como a promovida pela Embaixada da Espanha, em Brasília, no ano de 2005, e na Feira Internacional de Arte de Lisboa, em Portugal, em 2007. “Pereira já recebeu várias condecorações, entre as quais, a Medalha do Mérito Parlamentar (conferida pela Assembleia Legislativa de Sergipe) e a Medalha do Mérito Inácio Barbosa (outorgada pela Prefeitura Municipal de Aracaju). Ele consta em diversos catálogos especializados, entre eles, um organizado por mim em 1988, intitulado Arte Contemporânea das Alagoas, quando já gozava de reconhecimento no cenário nacional, como legítimo representante do Neoregionalismo Nordestino”, diz.

O curador afirma que os primeiros trabalhos de Ismael Pereira eram figurativos regionais que tinham como temática a sociedade rural alagoana, através de seus personagens. “Quando esses elementos passaram a sufocar a sua criatividade, o artista ousou se renovar, lançando a série Guerreiro das Alagoas, na qual os característicos chapéus dos integrantes desse folguedo popular lhe inspiraram instigantes composições geométricas, cujas linhas retas seriam quebradas por estratégicas colagens da tradicional chita”, rememora Loureiro.

“Depois, Ismael Pereira criou a série Jangadas das Alagoas, mostrando velas reduzidas a simples triângulos, agrupadas em sobreposições, ou servindo de suportes a elementos decorativos. Mas, mais inovadora ainda, é a série dos Cajus, na qual não hesitou em desconstruir a fruta símbolo de sua terra natal, a ponto de transformá-la, certa feita, num violão ricamente ornamentado”, comenta Romeu Loureiro. “De repente, um intermezzo: o artista descobriu a mandala e dela se apropriou para criar composições de tamanha minudência de detalhes que mais parecem saídas das mãos de fada das nossas rendeiras”, descreve.

Sobre a evolução da sua arte, em certa ocasião Ismael Pereira disse: “Às vezes, a gente tem que entender que o continuísmo pode se tornar sufocante e que é necessário que acompanhemos a mudança dos paradigmas em qualquer atividade. Na pintura, não pode ser diferente. Ainda que eu esteja palmilhando o terreno do chão dos mortais, sinto também o direito de fazer alguma coisa que verticalize a minha obra. Daí porque essa inovação”.
A exposição que entrará em cartaz na Galeria Cesmac a partir da próxima terça-feira trará exemplares dessas e de outras fases criativas do artista, inclusive a série dos Galos de Briga e a arte abstrata e suas famosas cerâmicas. “Paralelamente à pintura de cavalete, Ismael Pereira vem transformando objetos de cerâmica popular em autênticas obras de arte, ao revesti-los com um tratamento pictórico personalíssimo, que os torna peças únicas. Uma prática que, indubitavelmente configura uma ligação umbilical com as tradições regionais”, afirma Loureiro.

Galeria Cesmac

A retrospectiva de Ismael Pereira é a segunda exposição a entrar em cartaz na Galeria de Cesmac de Artes Fernando Lopes, inaugurada no último dia 17 de março . A mostra inaugural se chamou Alagoas: Raízes Imaginárias - que ficou em exibição entre os meses de março e abril. A mostra coletiva reuniu o trabalho de trinta artistas alagoanos ou radicados em Alagoas, sob a curadoria de Caroline Gusmão e Francisco Oiticica, ambos professores e pesquisadores de arte.

Foi com objetivo de presentear a comunidade alagoana, ainda carente de espaços dedicados à produção artística e cultural, que o Cesmac decidiu investir na criação de uma nova galeria de arte. Nela serão exibidos trabalhos que visam ampliar a percepção crítica do público sobre as diversas linguagens artísticas. “É pretensão do Cesmac fazer dessa Galeria um espaço atuante e vivo que inquiete, amplie e refine o olhar e a aprendizagem de todos. Queremos que a sociedade alagoana, que recebeu com carinho nossa instituição, se sinta em casa nesse espaço de tantas cores, formas e sensibilidades”, afirma o professor Douglas Apratto Tenório, vice-diretor geral do Cesmac.

Segundo ele, o sentido prospectivo, de visão crítica do futuro, abriga-se tanto no espaço do saber científico, quanto no da atividade artística. “Mas, é na arte que se percebe mais agudamente o mundo em transformação”, frisa. Apratto, explica que a escolha do nome do artista plástico Fernando Lopes para denominar a galeria se deve inúmeras razões. “Ele produziu uma obra que saiu de sua província natal - São Miguel dos Campos- e dialogou com novas técnicas, meios e conteúdos expressivos, sendo reconhecida por público e crítica especializada. Figura humana gentil e introvertida, Lopes fez com que sua obra corresse por ele o Nordeste e o Brasil, renovando-se em temas e linguagens”, diz.
Serviço

Evento: Lançamento da exposição “Do Regional ao Universal – Uma retrospectiva de Ismael Pereira”

Local: Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes

Endereço: Rua Cônego Machado, Farol

Abertura: 8 de junho de 2010, às 19h.

Informações: 82 3215-5194

Entrada gratuita