A visita da pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) à plenária da Federação Única dos Petroleiros (FUP) tinha tudo para ser um ato de campanha. E foi. Assim que a petista chegou ao local da convenção, no Setor Hoteleiro Sul, em Brasília, ontem, foi recebida pelos sindicalistas com as senhas “Olê, olá, Dilma” e “Brasil para frente, Dilma presidente”. Teve jingle e cordel, composto para enaltecer a presidenciável e espinafrar os adversários, e até demorada sessão de fotos. A participação da “Mãe do Brasil”, como Dilma foi chamada pelos trabalhadores, tinha tudo para ser um ato de campanha, se a peregrinação oficial no faro por votos já estivesse liberada. Mas não está. Em tese, candidatos só poderiam participar de eventos de cunho eleitoral a partir de 5 de julho.

A preocupação com a lei que proíbe a antecipação da campanha eleitoral até ganhou defensores no início do evento. Assim que os primeiros gritos em favor de Dilma começaram a ser entoados, um dirigente da FUP pegou o microfone e fez o alerta: “Calma, gente, tem uma legislação eleitoral por aí”. Em vão. Os cerca de 200 participantes da plenária não economizaram nos afagos à pré-candidata. A série de homenagens começou com a leitura de uma poesia de cordel, escrita especialmente para a ocasião por um petroleiro.

O poema não foi econômico. Criticou o governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), em trechos como: “Até 2002, o povo amargurado, era crise a todo instante” e “saiu em 2002, aos pés do FMI”. A série de críticas respingou até no falecido Sérgio Motta, ex-ministro das Comunicações de FHC, e, claro, em José Serra (PSDB), principal adversário de Dilma nas eleições de outubro. “Salvar banqueiros falidos era o mote preferido de FHC, Serra e Serjão”, disparou o texto. O poema ainda mirou na suposta tentativa dos tucanos de privatizar a Petrobras — mesmo que a intenção seja recorrentemente negada pelo partido. Enquanto o texto era declamado, Dilma acompanhava a apresentação, recitando em voz baixa o cordel. No fim, sorriu ao escutar a frase: “Tú é (sic) a mãe do Brasil”.