Após menos de nove meses no cargo e com baixa popularidade, Yukio Hatoyama, 63, renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Japão hoje -- terça-feira, dia 1º, no Brasil; já quarta-feira, dia 2, no país asiático. A popularidade de Hatoyama desabou recentemente para cerca de 17%, após o premiê decidir manter em Okinawa uma base militar dos Estados Unidos, quebrando uma promessa de campanha.
Em uma reunião com os principais dirigentes do Partido Democrata (PD, de centro), Hatoyama também pediu a demissão do secretário-geral dos democratas, Ichiro Ozawa. "O trabalho do governo não foi compreendido pelo público. Perdemos sua confiança", disse Hatoyama. Dirigentes do PD exigiam a saída de Hatoyama para preservar as possibilidades da maioria nas eleições para o Senado em 11 de julho.
A pressão contra Hatoyama aumentou após o acordo sobre a base americana, anunciado na última sexta-feira pelo Japão e EUA, depois de oito meses de negociações. Esse acordo era quase idêntico ao que estava em vigor desde 2006, que estabelece a mudança da base de Futenma para uma região menos povoada de Okinawa, mas dentro dessa mesma ilha japonesa, contra o prometido por Hatoyama em sua campanha eleitoral.
Hatoyama foi eleito no final em agosto passado, com maioria absoluta, prometendo mais independência de Tóquio em relação a Washington, mas voltou atrás e aceitou a pressão do governo de Barack Obama sobre a presença das bases norte-americanas no país asiático.
Pesquisa divulgada nesta semana pelo jornal econômico "Nikkei" indicava que 63% dos japoneses queriam a renúncia do premiê. Segundo a enquete do "Asahi Shimbun", 70% dos consultados desaprovam a gestão de Hatoyama, enquanto, em outra pesquisa do jornal "Mainichi" divulgada hoje, 58% opinam que o chefe de Governo deveria renunciar por causa de Futenma.
O governo Hatoyama sofreu um abalo no fim do mês passado após o Partido Social Democrata (PSD) abandonar a coalizão. O Partido Social Democrata fazia parte desde setembro da coalizão de governo junto com o Partido Democrático de Hatoyama (que conta com maioria na Câmara Baixa) e o Novo Partido do Povo, outra legenda minoritária.
Em agosto passado, o Partido Democrático (PD), de Hatoyama, obteve maioria absoluta na Casa de Representantes e, assim, desbancou o até então hegemônico (por cinco décadas) Partido Liberal-Democrata (PLD), do ex-premiê Taro Aso. A insatisfação dos eleitores com o conservador PLD, que, na legislatura passada, teve quatro primeiros-ministros - um por ano -, e o efeito da crise, que afundou o Japão em recessão durante um ano inteiro, foram os estopins da derrota do governo anterior.