Menos de uma semana após a ONU (Organização das Nações Unidas) ter anunciado a retirada de cerca de dois mil soldados de sua missão de paz na República Democrática do Congo (RDC), um atentado atribuído a grupos rebeldes deixou ao menos 19 mortos no leste do país.

Pelo menos 19 pessoas, entre elas cinco soldados e oito civis congoleses, foram mortas na quarta-feira durante um ataque a uma posição do Exército no leste da RDC, atribuído a rebeldes hutus ruandeses, indicou nesta quinta-feira o Exército congolês.

Na quarta-feira "por volta de 3h" (23h de terça-feira em Brasília), cerca de 150 combatentes do grupo rebelde chamado Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR) atacaram uma posição das Forças Armadas da RDC, matando cinco soldados e oito civis, declarou o major Vianney Kazarama, porta-voz do Exército na Província de Kivu Norte (leste).

De acordo com o Exército congolês, durante o ataque registrado em Burungu, seis rebeldes das FDLR também foram mortos.

Uma fonte da ONU confirmou a morte de doze soldados congoleses e civis nesse ataque, mantendo reservas sobre a origem dos agressores, já que as FDLR mantêm "atualmente uma postura defensiva".

Os rebeldes hutus ruandeses são acusados de terem participado do genocídio de 1994 na vizinha Ruanda. Eles são também regularmente acusados de cometer saques, assassinatos e estupros contra civis.

Retirada de tropas de paz

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) autorizou na sexta-feira (28) a retirada de dois mil dos 22 mil soldados de sua missão de paz na República Democrática do Congo (Monuc). A partir do primeiro de julho a missão se transformará em uma força de estabilização.

Em uma resolução adotada por unanimidade, os 15 países membros do principal órgão das Nações Unidas assinalam que a retirada, que deve ocorrer antes do dia 30 de junho, afetará as unidades mobilizadas em regiões do país consideradas seguras e estáveis.

Ao mesmo tempo, amplia-se por um mês o mandato da Monuc para dar tempo à missão de se transformar, a partir de 1º de julho, em uma missão de estabilização (Monusco).

A nova força contará com um máximo de 19.815 soldados, 760 observadores militares e 1,5 mil policiais, autorizados a permanecer no país até o dia 30 de junho de 2011.

A retirada autorizada pelo Conselho de Segurança obedece aos desejos do governo de Kinshasa que o primeiro contingente de capacetes azuis deixe o país antes do próximo dia 30 de junho, quando essa ex-colônia belga celebra o 50º aniversário de sua independência.

Ao mesmo tempo, a resolução adotada não se ajusta totalmente à vontade expressa pelo presidente congolês, Joseph Kabila, que pediu a saída completa das tropas internacionais do país antes de finais de 2011.

Dúvidas

Algumas potências ocidentais, assim como protagonistas políticos congoleses e organizações internacionais, consideram perigosa uma saída precipitada de um país onde ainda há grupos armados ativos e onde a situação humanitária em algumas áreas é ainda muito frágil.

A resolução deixa aberta a possibilidade de voltar a "reestruturar" novamente a missão, mas o condiciona ao decorrer dos acontecimentos no país e a consecução dos objetivos estratégicos buscados pelas Nações Unidas.

Tais objetivos são a proteção da população civil, particularmente da violência sexual protagonizada por grupos armados, assim como a consolidação da autoridade do Estado em todo o extenso território do país.

O subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, o francês Alain Le Roy, se mostrou satisfeito com as mudanças autorizadas hoje e ressaltou que correspondem à posição do Governo congolês.

A Monuc está presente na República Democrática do Congo desde 2001, quando foi enviada pelo Conselho de Segurança para buscar o fim da sangrenta guerra civil que o país vivia desde 1998, e que se prolongou até 2003.

Algumas organizações internacionais calculam que a violência no país deixou 5,4 milhões mortos nos últimos 12 anos.