A cineasta brasileira Iara Lee, detida na última segunda-feira (31) junto com ativistas em barcos interceptados por militares israelenses perto da faixa de Gaza, será deportada para a Turquia. Uma fonte da Embaixada do Brasil em Tel Aviv disse nesta quarta-feira (2) ao R7 que Iara está no aeroporto Ben Gurion, na capital de Israel, aguardando a partida de um voo fretado pelo governo local para Istambul.
Iara e os demais deixaram a prisão de Beersheba nesta quarta-feira. Junto a ela, estão outros ativistas que foram presos durante a polêmica ação militar, que resultou na morte de pelo menos nove pessoas. Os militares abordaram os barcos, que levavam ajuda humanitária aos palestinos na faixa de Gaza, ainda em águas internacionais.
A região sofre um bloqueio naval israelense desde que o grupo militante Hamas tomou à força o seu controle, em 2007. Um dos objetivos dos ativistas era justamente contestar essa medida do governo de Israel.
Ontem, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu o fim do bloqueio e disse que, se ele não existisse, as mortes não teriam ocorrido. Também houve protestos em vários países contra a ação de Israel.
A fonte da embaixada disse ao R7 que Iara, que mora em Nova York, manifestou a vontade de voltar ao Brasil depois da escala em Istambul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta terça-feira a ação contra a chamada “frota da liberdade”.
- Condeno [o ataque]. Ele foi feito em águas internacionais e, portanto, Israel não tinha o direito de ter feito o que fez.
Israel começou a deportar nesta quarta-feira cerca de 250 pessoas detidas depois do ataque da Marinha israelense à frota de navios de ajuda humanitária que tentava furar o bloqueio à faixa de Gaza, divulgou a rádio do Exército de Israel. Cerca de 120 pessoas cruzaram a fronteira com a Jordânia. Outros cerca de 130 foram levados ao aeroporto Ben Gurion para retornar ao país de origem.
Das 682 pessoas de 42 países que estavam nos seis navios que foram abordados pelos israelenses no ataque de segunda-feira, 45 foram deportados nos últimos dois dias.
As deportações ganharam velocidade depois da reunião do conselho de segurança de Israel, que avançou até o fim da noite desta terça-feira e que decidiu pela saída dos detidos do país nas próximas 48 horas. “Foi acertado que os presos serão deportados imediatamente, de acordo com os procedimentos previstos pela lei”, informou um comunicado do governo.
Os ativistas favoráveis aos palestinos que chegaram à Jordânia nesta quarta-feira relataram agressões e humilhações antes da deportação ser autorizada por Israel. Os 124 ativistas - todos de países com maioria muçulmana – cruzaram a ponte Allenby em cinco ônibus jordanianos. A ponte sobre o rio Jordão, que está sob o controle de Israel, liga a Jordânia com o território palestino da Cisjordânia.
Os corpos dos nove mortos ainda estão em um necrotério ao norte de Israel, aguardando identificação e posterior liberação.